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Questão FC245617

Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esque

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

IDECAN · 2023

Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

 

Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com urna tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam, no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.

 

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

 

VERÍSSIMO, Érico. Olhai os Lírios do Campo. 5. ed. Porto Alegre: Editora Globo, 1996.

 

Acerca da composição do fragmento de Olhai os lírios do campo, é correto afirmar que se utiliza de uma linguagem

  1. lírica, cujo enredo é contado por um narrador heterodiegético.
  2. literal, cujo enredo é contado por um narrador homodiegético.
  3. poética, cujo enredo é contado por um narrador autodiegético.
  4. ora literária, ora literal, cujo enredo é contado por um narrador autodiegético.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa indica que o texto alterna entre linguagem literária (conotativa) e linguagem literal (denotativa). Isso aparece nas imagens e figuras de estilo — por exemplo, “fúria cega”, a comparação com “lírios do campo” e a pergunta retórica “De que serve construir arranha-céus…”, que apelam ao sentido simbólico e valorativo.

Ao mesmo tempo há trechos de sentido direto e informativo: comandos e referências concretas — “Quero que abras os olhos, Eugênio”, a indicação da Bíblia e da página marcada — cuja função é denotativa.

O texto é narrado por um narrador autodiegético: fala em primeira pessoa (“Estive pensando”) e participa como personagem da situação que relata, dirigindo-se a Eugênio e contando a própria experiência.

Assim, a alternância de linguagem e a presença do narrador-protagonista justificam a escolha da alternativa.

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