Questão FC245663
Texto para responder a questão abaixo. Lobo Bobo João Gilberto Era um vez um lobo mau Que resolveu jantar alguém Estava sem vintém Mas arriscou E logo se estrepou Um chapeuzinho de
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
IDECAN · 2025
Texto para responder a questão abaixo.
Lobo Bobo
João Gilberto
Era um vez um lobo mau
Que resolveu jantar alguém
Estava sem vintém
Mas arriscou
E logo se estrepou
Um chapeuzinho de maiô
Ouviu buzina e não parou
Mas lobo mau insiste
E faz cara de triste
Mas chapeuzinho ouviu
Os conselhos da vovó
Dizer que não pra lobo
Que com lobo não sai só
Lobo canta, pede
Promete tudo, até amor
E diz que fraco de lobo
É ver um chapeuzinho de maiô
Mas chapeuzinho percebeu
Que o lobo mau se derreteu
Pra ver você que lobo
Também faz papel de bobo
Só posso lhe dizer
Chapeuzinho agora traz
O lobo na coleira
Que não janta nunca mais
Lobo bobo
No texto o lobo é caracterizado de “bobo”; a voz que atribui esse adjetivo ao lobo é masculina ou feminina? E o que significa ser o lobo um bobo? Indique a opção que responda às ponderações enunciadas.
- A voz é masculina, é do intérprete João Gilberto, que satiriza o comportamento de homens que se deixaram aprisionar a um único relacionamento.
- A voz é masculina, é do narrador, que avalia negativamente o lobo ter perdido sua liberdade de caça.
- A voz é feminina, é da chapeuzinho, que se vangloria de ter domado o lobo.
- A voz é feminina, é da vovó, que se orgulha em ver o resultado da neta ter ouvido seus conselhos.
- A voz é masculina, é do lobo, que cai em si, reconhecendo agora estar preso a uma única chapeuzinho.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Voz masculina: trata-se da voz do narrador, que relata e avalia os fatos em terceira pessoa. O tom juicioso e a atribuição direta do adjetivo bobo ao lobo indicam uma posição enunciativa externa que comenta a conduta do personagem, característica de um narrador que assume perspectiva masculina no enunciado.
Significado de “bobo”: o termo não se limita a “tolo”; aqui indica perda de astúcia e de poder. O lobo, antes predador, fica desarmado emocionalmente e socialmente, passando a papel ridículo.
Como prova, o poema mostra a consequência: “o lobo na coleira / que não janta nunca mais”. Esse verso explicita a perda da liberdade de caça e reforça a avaliação negativa do narrador sobre o destino humilhante do lobo.
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