Questão FC248127
A ideia de pátria se vinculava estreitamente à de natureza e em parte extraía dela a sua justificativa. Ambas conduziam a uma literatura que compensava o atraso material e a debili
Geografia Econômica
VUNESP · 2019
A ideia de pátria se vinculava estreitamente à de natureza e em parte extraía dela a sua justificativa. Ambas conduziam a uma literatura que compensava o atraso material e a debilidade das instituições por meio da supervalorização dos aspectos regionais, fazendo do exotismo razão de otimismo social. A partir de 1930 houve uma mudança de orientação, sobretudo na ficção regionalista, percebendo-se o que havia de mascaramento no encanto pitoresco com que antes se abordava o homem rústico. Evidenciou-se a realidade dos solos pobres, das técnicas arcaicas, da miséria pasmosa das populações, da sua incultura paralisante. A visão que resulta dessa perspectiva é pessimista quanto ao presente e problemática quanto ao futuro.
(Antonio Candido. A educação pela noite e outros ensaios, 1989. Adaptado.)
O excerto assinala uma reorientação nos rumos da literatura brasileira, na medida em que os escritores
- deparam-se com a instituição de uma regionalização oficial pelo IBGE.
- passam a mostrar os aspectos do Brasil como país subdesenvolvido.
- reconhecem o estabelecimento de alianças democráticas no Brasil.
- percebem a assimilação do american way of life pelo povo brasileiro.
- optam pelo emprego de uma visão eurocêntrica em sua produção literária.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa indica que, a partir de 1930, a literatura rompeu com a visão idealizadora da natureza e do homem rústico e passou a evidenciar a condição de país subdesenvolvido.
Os autores do período adotaram um regionalismo crítico e um realismo social, mostrando solos pobres, técnicas arcaicas, miséria e falta de acesso à educação como elementos estruturais, e não meros pitorescos.
Essa mudança converte o exotismo otimista em diagnóstico: a cena literária deixa de maquiar problemas e passa a narrar a dimensão econômica e social que condiciona o presente e compromete o futuro.
Assim, a alternativa explica corretamente a reorientação: os escritores tornaram-se testemunhas e analistas das limitações materiais e institucionais do Brasil.
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