Questão FC248157
A última pesquisa Origem Destino (OD) disponível, de 2017, indicou a predominância de viagens motorizadas com o uso de transporte público em relação ao transporte particular. Do to
Geografia Urbana
VUNESP · 2023
A última pesquisa Origem Destino (OD) disponível, de 2017, indicou a predominância de viagens motorizadas com o uso de transporte público em relação ao transporte particular. Do total de viagens, a relação transporte público x transporte particular seria de 55% x 45% na Região Metropolitana e de 56% x 44% no município de São Paulo. Essa pesquisa levantou também a variação dessa predominância por faixa de renda, conforme figura a seguir.

Dois terços da população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) recebem familiar até R$ 3.816 e as famílias de renda mais baixa concentram-se em áreas periféricas, que demandam dispêndio semanal de mais tempo no transporte público.
Neste quadro, pode-se afirmar que o indicador “percentual de viagens”
- não leva em conta o tempo despendido nas viagens, maior para as famílias de baixa renda, porém essa distorção é parcialmente compensada pelo maior número de viagens de transporte público por usuário, relativamente ao transporte individual.
- deveria ser a base para a formulação de políticas públicas equilibradas, observando-se proporcionalidade dos investimentos nos dois modais à sua participação relativa, sendo que investimentos em sistema viário beneficiam tanto o transporte individual quanto o coletivo.
- espelha, da melhor forma possível, o conjunto das condições de mobilidade a que estão sujeitos os usuários dos sistemas de mobilidade da RMSP.
- subestima a dependência da população em relação ao transporte público e não leva em conta o tempo despendido nas viagens, maior para as famílias de baixa renda.
- do ponto de vista das condições de mobilidade, distorce os resultados favoravelmente aos usuários do sistema de transporte público, visto que estes permanecem mais tempo no sistema.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa está correta porque o indicador percentual de viagens conta apenas o número de viagens realizadas, sem ponderar pela duração ou pelo custo temporal de cada deslocamento.
Como duas terceiras partes da população ganham até R$3.816 e muitas famílias de baixa renda moram em áreas periféricas, suas viagens de transporte público tendem a ser mais longas. Assim, a simples proporção de viagens subestima a real dependência e o ônus do transporte público sobre essas famílias.
Em termos práticos, o impacto aparece ao comparar participação por viagens e por tempo: \(\text{participação por tempo}=\dfrac{N_{pub}\cdot t_{pub}}{N_{pub}\cdot t_{pub}+N_{priv}\cdot t_{priv}}\). Se \(t_{pub}>t_{priv}\), a importância do transporte público é maior quando ponderada pelo tempo.
Portanto, é necessário usar métricas como horas/passenger ou tempo médio de deslocamento para avaliar corretamente a dependência e orientar políticas públicas.
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