Questão FC248197
O terrorismo não tem outra ideologia que não seja a exaltação da morte, uma mentalidade legionária de múltiplas encarnações. Na Espanha, sofremos o do ETA [Pátria Basca e Liberdade
Geografia Política
VUNESP · 2021
O terrorismo não tem outra ideologia que não seja a exaltação da morte, uma mentalidade legionária de múltiplas encarnações. Na Espanha, sofremos o do ETA [Pátria Basca e Liberdade] e o dos GAL [Grupos Antiterroristas de Libertação]; na Colômbia, o de guerrilheiros e paramilitares; no México, o dos cartéis criminosos e do narcoestado; no Chile, o dos sicários de Pinochet; no Oriente Médio, o de palestinos e israelenses. E tantos outros. Mas o que se instalou no âmbito global e transformou a vida política é o terrorismo de origem islâmico-fundamentalista e o contraterrorismo dos Estados, que fizeram do planeta um campo de batalha onde sobretudo morrem civis [...].
(Manuel Castells. Ruptura: a crise da democracia liberal, 2018.)
O excerto identifica o terrorismo contemporâneo como um fenômeno
- mundial, praticado tanto por grupos externos ao controle estatal, quanto por regimes políticos institucionalizados.
- regional, presente nas distintas partes do planeta, mas sempre resultante de disputas restritas a interesses locais e particulares.
- relacionado ao crime organizado, que se manifesta tanto por meio de estratégias clandestinas quanto através de corporações legalizadas.
- associado a ideologias extremistas de direita ou de esquerda, que agem para obter o controle de aparatos políticos estatais.
- étnico e religioso, por resultar de ações de grupos perseguidos, que recorrem à ação armada para reivindicar seus direitos.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O excerto aponta claramente o caráter mundial do terrorismo ao enumerar conflitos em Espanha, Colômbia, México, Chile e Oriente Médio, indicando que o fenômeno ultrapassa fronteiras e alcança a cena política global.
Ao citar movimentos como o ETA, guerrilheiros, cartéis e, simultaneamente, grupos como os GAL e o próprio contraterrorismo estatal, o texto evidencia que a prática terrorista não é exclusiva de atores fora do Estado.
Assim, fica explícita a presença tanto de grupos não estatais (organizações armadas, paramilitares, criminosas) quanto de regimes políticos institucionalizados que recorrem à violência.
Essa dupla origem explica por que o terrorismo transforma a política global e resulta, sobretudo, em vítimas civis.
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