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Questão FC303515

A vida nas cidades e, cada vez mais, no interior, é de uma violência inacreditável. O trânsito é uma violência contra a mente humana. O transporte público violenta dia após dia. Nã

Morfologia

FGV · 2014

Não éramos cordiais?


A morte do cinegrafista Santiago Andrade não configura um atentado à liberdade de imprensa, ao contrário do que tantos apregoam.


É muito pior que isso: é um atentado ao convívio civilizado entre brasileiros, um degrau a mais na escalada impressionante de violência que está empurrando o país para um teor ainda mais exacerbado de barbárie.


O incidente com o cinegrafista é parte de uma coreografia de violência crescente que se dá por onde quer que se olhe.


Nunca se matou com tanta facilidade em assaltos. Nunca se apertou o gatilho com tanta facilidade. É até curioso que as estatísticas policiais no Estado de São Paulo apontem uma redução no número de homicídios dolosos, como se fosse um avanço, quando aumenta o número de vítimas de latrocínio, que não passa de homicídio precedido de roubo.


De fato, em 2013, o número de latrocínios (379) foi o mais alto em nove anos, com aumento de 10% em relação aos 344 casos do ano anterior.


Mas a violência não é um fenômeno restrito à criminalidade. A polícia age muitas vezes com uma violência desproporcional.


A vida nas cidades e, cada vez mais, no interior, é de uma violência inacreditável. O trânsito é uma violência contra a mente humana. O transporte público violenta dia após dia. Não é um atentado aos direitos humanos perder às vezes três horas entre ir e voltar do trabalho?


A saúde é uma violência contra o usuário. A educação violenta, pela sua baixa qualidade, o natural anseio de ascensão social.


A existência de moradias em zonas de risco é outra violência.


A contaminação do ar mata ou fere de maneira invisível os habitantes das cidades em que o nível de poluição supera o mínimo tolerável.


Não adianta, agora, culpar o governo do PT ou a suposta herança maldita legada pelo PSDB, ou os crimes praticados pela ditadura militar ou a turbulência que precedeu o golpe de 1964. O país foi sendo construído de maneira torta, irresponsável, sem o mais leve sinal de planejamento, de preparação para o futuro.


Acumularam-se violências em todas as áreas de vida. A explosão no consumo de drogas exacerbou, por sua vez, a violência da criminalidade comum. Não há “coitadinhos” nessa história. Há delinquentes e vítimas e há a incompetência do poder público.


É como escreveu, para Carta Capital, esse impecável humanista chamado Luiz Gonzaga Belluzzo:


“O descumprimento do dever de punir pelo ente público termina por solapar a solidariedade que cimenta a vida civilizada, lançando a sociedade no desamparo e na violência sem quartel”.


Antes que o desamparo e a violência sem quartel se tornem completamente descontrolados, seria desejável o surgimento de lideranças capazes de pensar na coisa pública, em vez de se dedicarem a seus interesses pessoais, mesmo os legítimos.


Alguém precisa aparecer com um projeto de país, em vez de projetos de poder. Não é por acaso que 60% dos brasileiros querem mudanças, ainda que não as definam claramente. A encruzilhada agora é entre ideias e rojões.


(Clovis Rossi, Folha de São Paulo, 13/02/2014)

 

Assinale a opção em que a correspondência entre forma nominal e forma verbal está incorreta

  1. “atentado à liberdade de imprensa” / atentar contra a liberdade de imprensa .
  2. “o descumprimento do dever” / descumprir um dever
  3. “redução no número de homicídios” / reduzir o número de homicídios
  4. “anseio de ascensão social” / ansear por ascensão social
  5. “preparação para o futuro” / preparar para o futuro
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D: incorreta porque há erro na forma verbal apresentada.

O substantivo anseio deriva do verbo ansiar, não de ansear. Logo, a correspondência correta seria "anseio de ascensão social" / "ansiar por ascensão social".

Além disso, no uso verbal, é comum a regência com a preposição por (ansiar por algo), o que mantém a coerência entre nome e verbo na construção apresentada.

Portanto, a alternativa falha por provocar uma discordância morfológica/ortográfica entre a forma nominal e a forma verbal indicada.

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