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Questão FC303539

Nossa Missão Você e eu estamos na Terra para nos reproduzirmos. Nossa missão é transmitir os nossos genes, multiplicar a nossa espécie e dar o fora. Tudo o mais que fazemos, tudo a

Morfologia

FGV · 2013

Nossa Missão

 

Você e eu estamos na Terra para nos reproduzirmos. Nossa missão é transmitir os nossos genes, multiplicar a nossa espécie e dar o fora. Tudo o mais que fazemos, tudo a mais que nos acontece, ou é decorrência ou é passatempo. O que vem antes e depois dos nossos anos férteis é só o prólogo e o epílogo. Se a natureza quisesse otimizar seus métodos já nasceríamos púberes e morreríamos assim que nossos filhos, que também nasceriam púberes, pudessem criar seus filhos (púberes) sem a ajuda dos avós. Daria, no total, aí uns 35, 40 anos de vida, e adeus. O que resolveria a questão demográfica do planeta e, claro, os problemas da Previdência. Mas a Natureza nos dá o resto da vida – a infância e a velhice e todos os prazeres extrarreprodutivos do mundo, inclusive os sexuais – como brinde. Como um chaveiro, um agradecimento pela nossa colaboração.

 

A laranjeira não existe para dar laranja, existe para produzir e espalhar sua própria semente. A fruta não é o objetivo da planta frutífera, é o que ela usa para carregar suas sementes, é o seu estratagema. Agradecer à laranjeira pela laranja é não entendê-la. Ela não sabe do que nós estamos falando. Suco? Doçura? Vitamina C? Eu?! Você e eu ficamos aí especulando sobre o que a vida quer de nós, e só o que a vida quer é continuar. Seja em nós e na nossa prole, seja na minhoca e na sua. Nossa missão, nossa explicação, é a mesma do rinoceronte e da anêmona. Estamos aqui para fazer outros iguais a nós. Isto que chamamos, carinhosamente, de “eu”, com suas peculiaridades e sua biografia única, não é mais do que uma laranja personalizada. Um estratagema da Natureza, a polpa com que a Natureza protege a nossa semente e assegura a continuação da vida. Enfim, um grande mal‐entendido.

 

E os que passam pelo mundo sem se reproduzir? São caronas. Mas ganham o brinde da vida assim mesmo. A Natureza não discrimina.

 

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Globo, 22/09/2013)

 

“Agradecer à laranjeira pela laranja é não entendê‐la”.


As alternativas a seguir apresentam formas corretas de unir a forma verbal de presente do indicativo ao pronome “o” enclítico, à exceção de uma. Assinale‐a.

  1. Entendes‐lo (tu).
  2. Entende‐o (ele).
  3. Entendemo‐lo (nós).
  4. Entendei‐lo (vós).
  5. Entendem‐no (eles).
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Gabarito

A

Comentário do professor

Entendes‑lo (tu) é a alternativa assinalada porque, na verdade, está incorreta quanto à junção do verbo com o pronome em posição de ênclise.

A regra é: quando o verbo termina em -r, -s ou -z e recebe o pronome oblíquo átono o, a, os, as em ênclise, a forma verbal perde essa última letra e o pronome modifica‑se para lo, la, los, las. Assim, entendes (2ª pessoa do singular do presente) perde o -s e a junção correta é entende‑lo, não entendes‑lo.

Portanto, a forma apresentada em A contraria a norma de supressão do fonema final antes do pronome e é o único item que deve ser assinalado.

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