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Questão FC303540

A Nova Praga Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado

Morfologia

FGV · 2013

A Nova Praga


Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.


Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.


(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.


(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)

 

“...mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma”. Dando‐se a forma oracional ao adjetivo sublinhado na frase acima, sua forma adequada seria

  1. que se cometiam.
  2. que se cometem.
  3. que são cometidos.
  4. que se tinham cometido.
  5. que se tenham cometido.
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Gabarito

A

Comentário do professor

"...mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma". Ao desenvolver o adjetivo cometidos, transformamos em oração com o verbo cometer.

O verbo da oração desenvolvida deve concordar no tempo com o predicado da oração principal, que é via (pretérito imperfeito do indicativo). Portanto, o verbo aparece em pretérito imperfeito: cometiam.

Além disso, a construção é de voz passiva sintética, formada por verbo transitivo direto + pronome apassivador se, e o pronome relativo que retoma o antecedente plural os crimes, exigindo a forma verbal plural. Daí resultar a forma correta: que se cometiam.

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