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Questão FC303651

Texto – Do que as pessoas têm medo?

Concordância (Verbal e Nominal)

FGV · 2018

Texto – Do que as pessoas têm medo?

 

A geração pós-1980 e início de 1990 só conhece os tempos militares pelos livros de História e pelas séries da TV. Para a maioria dela, as palavras “democracia” e “liberdade” têm sentido diferente daquele para quem conheceu a falta desses direitos e as consequências de brigar por eles. Se hoje é possível existir redes sociais; se é possível que pessoas se organizem em grupos ou movimentos e digam ou escrevam o que querem e o que pensam, devem-se essas prerrogativas a quem no passado combateu as arbitrariedades de uma ditadura violenta, a custo muito alto.

 

A liberdade não é um benefício seletivo. Não existe numa sociedade quando alguns indivíduos têm mais liberdade que outros, ou quando a de uns se sobrepõe à de outros.

 

É fundamental para a evolução das sociedades compreender que o status quo das culturas está sempre se modificando, e que todas as modificações relacionadas aos costumes de cada época precisaram quebrar paradigmas que pareciam imutáveis. Foi assim com a conquista do voto da mulher, com a trajetória até o divórcio e para que a “desquitada” deixasse de ser discriminada. Foi assim, também, com outros costumes: o comprimento das saias, a introdução do biquíni, a inclusão racial, as famílias constituídas por união estável, o primeiro beijo na TV e tantas outras mudanças que precisaram vencer os movimentos conservadores até conseguirem se estabelecer. Hoje, ninguém se importa em ver um casal se beijando numa novela (desde que o casal seja formado por um homem e uma mulher). Há pouco mais de 60 anos, o primeiro beijo na TV, comportado, um encostar de lábios, foi um escândalo para a época.

 

A questão do momento é se existe limite para a expressão da arte.

 

Simone Kamenetz, O Globo, 18/10/2017. (Adaptado)

 

Apesar de bem escrito, o primeiro parágrafo do texto apresenta uma incorreção, segundo a norma padrão.


Assinale a opção que a apresenta.

  1. O segmento “Para a maioria dela” deveria ser substituído por “Para a maioria delas”.
  2. O segmento “têm sentido diferente” deveria ser substituído por “têm sentidos diferentes”.
  3. O segmento “a falta desses direitos” deveria ser substituído por “a falta desse direito”.
  4. O segmento “É possível existir” deveria ser substituído por “É possível existirem”.
  5. O segmento “devem-se essas prerrogativas” deveria ser substituído por “deve-se essas prerrogativas”.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D é correta porque o verbo existir exige concordância com o sujeito ao qual se refere. No trecho, o sujeito é “redes sociais” (plural), então o infinitivo deve aparecer no plural: existirem.

Reordenando: “Se é possível redes sociais existirem...” equivale a “Se é possível que redes sociais existam.” Ambas formas respeitam a concordância verbal.

Observe a diferença com o verbo haver no sentido de existir: ele é impessoal e fica sempre na 3.ª pessoa do singular (“havia muitas pessoas”), mas esse comportamento não se aplica a existir.

Portanto, a correção normativa é substituir “é possível existir” por “é possível existirem”.

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