Questão FC303660
Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos nisso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliá
Concordância (Verbal e Nominal)
FGV · 2017
TEXTO
Anúncio Publicitário: o Conar
Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos nisso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que exista uma “meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de Aurorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira. Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? Não arredondamos para 30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não acreditasse nela?
Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a punição.
Veja, 8 de julho de 2009.
A frase do texto em que o verbo sublinhado admitiria a forma de concordância verbal indicada entre parênteses é:
- “Para o Conar [....] existem a verdade e a mentira”. (existe)
- “Não fazemos isso porque somos bonzinhos...” (são)
- “Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária...”. (sintam)
- “... como acabamos de fazer”. (acaba)
- “... porque é a única forma da propaganda ter o máximo de credibilidade”. (terem)
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Gabarito
A
Comentário do professor
“Para o Conar [...] existe a verdade e a mentira”.
Nessa frase, o sujeito é sujeito composto posposto ao verbo (a verdade e a mentira vêm depois de existe/existem). A norma aceita duas possibilidades de concordância: plural, concordando com o conjunto do sujeito, ou singular, quando o verbo concorda por proximidade com o primeiro elemento do sujeito ou quando se entende o par como uma unidade.
Logo, usar existe é gramaticalmente correto porque o verbo antecipa o sujeito composto e pode concordar com o termo mais próximo (“a verdade”), ou tratar os dois elementos como uma noção única, dispensando o plural.
Portanto, a forma indicada na alternativa é válida segundo a concordância normativa.
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