Questão FC303694
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
Concordância (Verbal e Nominal)
FGV · 2013
Texto I
Consumo impróprio?
Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.
Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.
Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.
O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.
Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá‐lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.
E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)
“66% dos presos eram réus primários”. A concordância verbal, nesse caso, pode ser feita com o número (66%) ou com o partitivo (presos).
Assinale a alternativa que apresenta erro de concordância.
- 92% da população carcerária é de baixa renda.
- 30% do tráfico escapam da política de repressão.
- 1,2% da população apoiam a nova lei de repressão ao tráfico.
- 0,5% dos cariocas desejam que os traficantes sejam presos.
- 55% dos jovens são vítimas do apelo do tráfico.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A oração “1,2% da população apoiam a nova lei...” apresenta erro de concordância porque o percentual e o especificador estão no singular.
Com expressões de porcentagem a concordância pode recair sobre o numeral (1,2%) ou sobre o substantivo especificado (da população), mas quando ambos aparecem no singular o verbo deve ficar no singular.
Portanto, a forma correta é: “1,2% da população apoia a nova lei de repressão ao tráfico.”
Resposta: o verbo “apoia” concorda corretamente com o sujeito composto por percentual + especificador, ambos singulares.
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