Questão FC303706
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão
Concordância (Verbal e Nominal)
FGV · 2009
Texto
REFUNDAR AS POLÍCIAS
No Rio de Janeiro ninguém está satisfeito com as polícias, tanto Civil quanto Militar. Nem a sociedade, nem os próprios oficiais. Porém, as forças fluminenses não são as únicas em estado adiantado de degradação: suas deficiências apenas se tornaram mais visíveis.
Em quase todo o país as avaliações sobre essas corporações são negativas. Os baixos salários são o problema central e têm como consequência direta a necessidade de “bicos” para completar o orçamento familiar.
Nesse cenário, nada mais natural que a maioria dos policiais procure uma vaga na segurança privada. A lei proíbe, mas o bolso manda. E como não há fiscalização de fato para conter a jornada dupla, fica mais fácil burlar a regra - a responsabilidade sobre a segurança privada é da Polícia Federal, mas faltam agentes e sobram missões.
As secretarias estaduais, por sua vez, fingem que nada acontece. Se interviessem, implodiriam as contas públicas, que não resistiriam à emergência de uma demanda salarial reprimida. Afinal, é a segurança privada, informal e ilegal, que financia, indiretamente, a segurança pública, tornando possível um orçamento irreal. Eis aí o gato-orçamentário.
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão aí para não nos deixar mentir. E os turnos de trabalho irracionais? Quem teria coragem de racionalizá-los, se isso implica a quebra da espinha dorsal do bico?
Nos últimos anos, sobretudo no Rio, a corrupção policial agravou-se. A arcaica política do “confronto” conferia ao policial a autoridade para matar de forma arbitrária. E, ao mesmo tempo, lhe dava tacitamente o poder para negociar a vida e a liberdade, instituindo uma moeda forte e atraente - e em permanente inflação. Assim, o combate “fora-da-lei” ao crime buscou liquidá-lo, utilizando-se de práticas como a execução de delinquentes. O resultado foi desastroso e paradoxal: uma polícia envolvida em dinâmicas criminosas e, portanto, impotente diante do próprio crime. (....)
(Luiz Eduardo Soares, Le Monde Diplomatique, janeiro 2009)
“...a maioria dos policiais procure...”; as gramáticas de língua portuguesa ensinam que com a expressão “a maioria de” seguida de substantivo plural, a concordância se faz predominantemente no singular (concordando com maioria), mas pode concordar no plural, em função do substantivo (Maria Helena de Moura Neves, Guia de uso do português, Editora Unesp, SP, 2003, p. 493). Assim sendo, pode-se dizer da concordância verbal feita nessa frase do texto que ela:
- assume a única forma possível de concordância verbal.
- prefere uma das formas de concordância verbal possível.
- apresenta uma forma errada de concordância verbal.
- mostra preferência por uma concordância verbal menos utilizada.
- indica a utilização de uma forma verbal de concordância não estudada nas gramáticas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B aponta corretamente que a frase opta por uma das formas possíveis de concordância.
Com a locução "a maioria dos policiais", a concordância pode recair sobre maioria (singular) ou sobre o substantivo no plural (policiais), dependendo da ênfase semântica. Na passagem, o verbo aparece no singular — "procure" —, concordando com maioria e valorizando o coletivo.
Portanto, a construção demonstra a escolha por uma das opções admitidas pela gramática normativa: a concordância com o núcleo coletivo, sem erro gramatical, o que justifica a alternativa indicada.
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