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Questão FC303930

Em uma tarde ensolarada, estou no portão da escola recebendo as crianças como todos os dias. De repente, um carro para em frente ao portão. Um menino de quatro anos chega à porta d

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2022

Em uma tarde ensolarada, estou no portão da escola recebendo as crianças como todos os dias. De repente, um carro para em frente ao portão. Um menino de quatro anos chega à porta da escola com o telefone nas mãos, assistindo desenho ou jogando (não foi possível identificar), tão concentrado que nem percebe que chegou à escola. A mãe chama e ele não atende. Então, ela pega o telefone das mãos do filho e ele começa a reclamar, chorando e exaltado, querendo o telefone novamente. A mãe pede ao filho para parar de chorar e de “fazer birra”, mas este não a atende. Para parar de ouvir a reclamação do filho, ela então vai ao carro, busca o tablet e deixa que o filho o leve para a escola.

 

Diário de bordo, 26 de fevereiro de 2018.


Sobre a estrutura desse pequeno texto, retirado de um estudo sobre a Tecnologia e a Educação Infantil, a afirmativa adequada é que se trata de um texto:

  1. argumentativo, em que se procura, por meio de uma estrutura narrativa, condenar o mau emprego da tecnologia nas escolas;
  2. narrativo, de que o narrador participa somente como observador e que pode servir de exemplo para a condenação de um mau processo educativo familiar;
  3. narrativo, de que o narrador participa com opiniões sobre o narrado, em tom condenatório da tecnologia atual;
  4. meramente descritivo de uma cena presenciada por um observador isento, cena essa que mostra características da sociedade atual;
  5. argumentativo, em que o argumentador se utiliza da presença de um tablet para a condenação dos games infantis como não educativos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Trata‑se de um texto narrativo: seu objetivo é contar uma sequência de acontecimentos. Identificam‑se elementos típicos da narrativa — enredo (chegada da criança, conflito pelo aparelho, resolução com a mãe cedendo), personagens (narrador, mãe, menino) e tempo e lugar (tarde ensolarada, portão da escola) — que estruturam a sucessão dos fatos.

O narrador aparece apenas como observador: descreve o que presencia sem emitir julgamentos ou argumentos explícitos. A linguagem relata ações e reações, sugerindo imparcialidade e distância, característica de quem registra uma cena vivida.

Por fim, o relato funciona como exemplo passível de leitura crítica: ao mostrar a mãe cedendo à birra, o texto oferece material para a condenação de um mau processo educativo familiar, sem, porém, advogar essa conclusão — cabe ao leitor inferi‑la a partir da situação narrada.

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