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Questão FC303934

Em uma de suas crônicas, Rubem Braga tece os seguintes comentários sobre o padre Feijó, figura importante de nossa história: “...quanta mediocridade, quanta incoerência! Não era ho

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2022

Em uma de suas crônicas, Rubem Braga tece os seguintes comentários sobre o padre Feijó, figura importante de nossa história: “...quanta mediocridade, quanta incoerência! Não era homem excepcional nem pela inteligência nem pela cultura. Não teve, diante dos problemas do Brasil, nenhuma visão mais larga nem penetrante; não nos legou, nem mesmo aos homens do Segundo Império, nenhuma ideia mais alta ou mais justa para levar adiante. Teimoso e limitado, tinha dois ou três projetos que defendeu até a velhice, e nenhum deles de maior mérito”.


Temos aqui o exemplo de um argumento ad hominem, ou seja, uma argumentação crítica contra uma pessoa.


O tipo de argumento ad hominem que é adequado ao texto de Rubem Braga é aquele que:

  1. repousa sobre uma incoerência ou inconsistência de ordem formal: a incompatibilidade ou a contradição lógica entre diferentes elementos argumentativos;
  2. consiste em colocar em discussão a posição mantida por uma pessoa em virtude de traços de sua personalidade nas suas relações sociais;
  3. não procura desacreditar uma ideia em função de um aspecto negativo da pessoa que a formula, mas se prende diretamente a marcas negativas da própria pessoa;
  4. marca a reprovação de alguém por ter mudado de ideia, mudando de política geral ou de partido político;
  5. pretende destacar a contradição entre o dizer e o fazer, tendo um comportamento incompatível com o discurso que apresenta.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa indica um tipo de argumento ad hominem que não ataca uma ideia por causa de defeitos do autor, mas concentra-se em marcas negativas da própria pessoa. No trecho de Rubem Braga, o foco é justamente nas qualidades pessoais de Feijó — "mediocridade", "teimoso", "limitado", falta de "visão" — e não numa refutação sistemática das suas propostas ou argumentos.

Portanto, o que se observa é um ataque dirigido à imagem e ao caráter do sujeito, visando desqualificá‑lo diretamente. Essa estratégia retórica invalida o interlocutor sem analisar o conteúdo das ideias, caracterizando o ad hominem que a alternativa descreve.

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