Questão FC303967
Texto 2 Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro (fragmento adaptado) “Para que serve sonhar? No início do século XX esta pergunta ancestral pareceu subitamente ao alca
Tipologia e Gênero Textual
FGV · 2022
Texto 2
Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro (fragmento adaptado) “Para que serve sonhar? No início do século XX esta pergunta ancestral pareceu subitamente ao alcance da Razão, com a publicação de ‘A interpretação dos sonhos’. Neste livro Freud fundou uma nova e ambiciosa psicologia, repleta de novas ideias sobre a mente humana e seus sonhos. A despeito do impacto profundo destas ideias na sociedade ocidental, sua formulação e desenvolvimento não se deram sobre uma base empírica e quantitativa, marcando um divórcio progressivo de método e discurso entre a psicanálise e a biologia. Como resultado, pouca ou nenhuma influência é atualmente atribuída a Freud no que diz respeito à investigação científica do fenômeno onírico.
O fosso não poderia ser mais profundo. Predomina nas ciências exatas a noção de que a contribuição da psicanálise para o entendimento dos sonhos resume-se a um amontoado de observações isoladas, teorias não testáveis, imperativos ideológicos e argumentos de autoridade. Por outro lado, as diferentes vertentes da psicanálise ocupam-se pouco ou nada do estudo experimental e quantitativo dos sonhos, voltando-se exclusivamente para os símbolos e jamais para seu substrato material, o sistema nervoso.
Na contramão deste divórcio, pretendo aqui demonstrar que os avanços da psicologia experimental e da neurociência convergiram nos últimos anos para dois importantes insights psicanalíticos. O primeiro consiste na observação concreta de que os sonhos, muito frequentemente, contêm elementos da experiência do dia anterior, denominados ‘restos do dia’. O segundo é o reconhecimento de que estes ‘restos’ incluem atividades mnemônicas e cognitivas da vigília, persistindo nos sonhos na medida de sua importância para o sonhador. Assim, ainda que de maneira difusa, a psicanálise prevê que a consolidação de memórias e o aprendizado sejam importantes funções oníricas. [...]”
(Sidarta Ribeiro. Disponível em: http://old.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext &pid=S1516-44462003000600013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02/04/2022)
É comum que os textos sejam classificados de acordo com o domínio social de comunicação em que se inserem. Por esse critério, é correto afirmar que o texto 2 tem natureza predominantemente:
- descritiva, porque se propõe primariamente a qualificar, identificar e localizar os sonhos;
- narrativa, porque se propõe primariamente a relatar uma sucessão de acontecimentos em ordem cronológica;
- expositiva, porque se propõe primariamente a ensinar a interpretação psicanalítica sobre os símbolos oníricos;
- injuntiva, porque se propõe primariamente a orientar as ações futuras do leitor;
- argumentativa, porque se propõe primariamente a defender um ponto de vista acerca da relação entre psicanálise, de um lado, e neurociência e psicologia cognitiva, de outro.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa é correta porque o texto tem finalidade argumentativa: o autor não apenas informa, mas busca defender uma tese sobre a relação entre psicanálise, neurociência e psicologia experimental.
Isso fica explícito na expressão "pretendo aqui demonstrar", que indica intenção de convencer o leitor. Há uma proposição central — que avanços científicos convergiram para insights psicanalíticos — sustentada por razões e observações que avaliam o estado dos conhecimentos.
O texto estrutura-se para apresentar um ponto de vista e justificá‑lo, usando exposições e exemplos como suporte. Assim, embora contenha trechos explicativos, sua função comunicativa primária é argumentar em favor de uma conclusão.
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