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Questão FC304052

Não foi para isso “Não sei se é verdade. Dizem que Santos-Dumont suicidou-se quando soube que, durante a Guerra Mundial, a primeira, de 1914 a 1918, estavam usando aviões para bomb

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2019

Não foi para isso

 

“Não sei se é verdade. Dizem que Santos-Dumont suicidou-se quando soube que, durante a Guerra Mundial, a primeira, de 1914 a 1918, estavam usando aviões para bombardear cidades indefesas. Não fora para isso -- pensava ele -- que inventara a navegabilidade no ar, façanha que ninguém lhe contesta, tampouco inventara o avião, cuja autoria lhe é indevidamente negada pelos norte-americanos.

 

Excetuando o Dr. Guilhotin, que construiu um aparelho específico para matar mais rapidamente durante os anos do Terror, na Revolução Francesa, em geral o pessoal que inventa alguma coisa pensa em beneficiar a humanidade, dotando-a de recursos que tornam a vida melhor, se possível para todos”.

 

Carlos Heitor Cony, in Folha de São Paulo. 27/12/2007.

 

Esse fragmento de uma crônica de Cony é um exemplo de texto

  1. didático, pois ensina algo sobre personagens famosos.
  2. descritivo, pois fornece dados sobre as invenções citadas.
  3. narrativo, pois relata a história da criação do avião e da guilhotina.
  4. argumentativo, pois apresenta fato que comprova o título da crônica.
  5. histórico, pois traz informações sobre o passado a fim de registrá-lo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Argumentativo: a crônica tem por finalidade defender uma ideia, não apenas narrar ou descrever.

O título "Não foi para isso" expressa uma tese — que invenções podem ser empregadas para fins contrários aos desejados pelo inventor — e o texto desenvolve essa afirmação.

Para sustentar a tese, o autor traz um fato específico: a suposta reação de Santos‑Dumont ao ver aviões usados para bombardear. Esse relato funciona como exemplo e prova ilustrativa, ou seja, evidencia a conclusão que se quer impor ao leitor.

Além disso, há juízo de valor e generalização (inventores pensam em beneficiar a humanidade), sinais típicos de texto que argumenta. Assim, a crônica combina afirmação, evidência e comentário, caracterizando‑a como texto argumentativo.

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