Questão FC304151
O assaltante aproximou-se da janela. Abriu-a com cuidado. Tentou enxergar algo na parte de dentro... Nada. Desliza para dentro da casa, deita no chão atapetado, fica deitado, tenta
Tipologia e Gênero Textual
FGV · 2014
O assaltante aproximou-se da janela. Abriu-a com cuidado. Tentou enxergar algo na parte de dentro... Nada. Desliza para dentro da casa, deita no chão atapetado, fica deitado, tentando acostumar-se à escuridão.
Sobre a estruturação desse pequeno texto narrativo, é correto afirmar que:
- o autor comete um erro ao modificar o tempo narrativo do pretérito perfeito para o presente;
- a sequência cronológica característica desse modo de organização discursiva se realiza nas formas verbais do pretérito perfeito, mas não nas do presente do indicativo;
- o narrador, sendo um personagem, se localiza no terreno da não onisciência sobre as ações narradas;
- a ausência de conectores entre as ações determina uma leitura mais rápida e uma aceleração no ritmo das ações;
- a utilização do presente do indicativo em algumas ações presentifica o narrado e traz mais dinamismo e emoção ao texto.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa destaca a função do presente do indicativo como recurso de vivacidade: ao alternar o passado ("Aproximou-se", "Abriu-a", "Tentou") com verbos no presente ("Desliza", "deita", "fica"), o narrador desloca o foco para a ação que se desenrola agora, em tempo real.
Esse uso é chamado de presente histórico ou presente narrativo e tem efeito de imediatismo: o leitor não recebe apenas um relato, mas participa da cena, acompanhando cada gesto à medida que acontece.
O resultado é maior dinamismo e tensão: frases curtas no presente aceleram o ritmo, intensificam as sensações e aumentam a emoção, aproximando o observador do ponto de vista do personagem.
Portanto, a alternância de tempos verbais aqui não é erro, mas técnica estilística que "presentifica" o narrado e torna o texto mais vívido.
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