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Questão FC304182

A Nova Praga Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2013

A Nova Praga


Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.


Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.


(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.


(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)

 

O texto lido pode ser adequadamente classificado como

  1. descritivo, já que mostra algumas características de um vocábulo.
  2. narrativo, pois indica o significado de uma palavra através dos tempos.
  3. informativo, visto que traz novidades sobre a língua portuguesa.
  4. publicitário, porque divulga um novo livro republicado.
  5. argumentativo, pois defende uma ideia com argumentos.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Argumentativo: o texto apresenta uma posição — que é inadequado chamar campos de futebol de "arena" — e busca comprová‑la por meio de razões e provas.

No desenvolvimento o autor expõe a tese e utiliza vários argumentos: etimologia da palavra ("arena" do latim), exemplo histórico (o Coliseu), apelido à autoridade (o linguista citado) e comparação hiperbólica (a "peste" do erro). Esses elementos servem para sustentar a ideia central.

Há também uso de recursos persuasivos: linguagem avaliativa, ironia e exemplos concretos, que reforçam a intenção deliberada de convencer o leitor.

Assim, pela presença clara de tese, argumentos e finalidade persuasiva, a classificação como texto argumentativo é adequada.

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