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Questão FC304183

Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2013

Texto I


Consumo impróprio?


Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.


A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.


Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.


Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.


O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.


Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá‐lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.


E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.


Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?


(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)

 

O segundo parágrafo do texto exemplifica um tipo de gênero textual. Por sua estruturação, sua classificação mais adequada é a de

  1. expositivo informativo.
  2. expositivo didático.
  3. argumentativo polêmico.
  4. narrativo publicitário.
  5. descritivo científico.
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Certo

Comentário do professor

O segundo parágrafo enquadra‑se como argumentativo porque apresenta uma opinião sobre uma proposta pública e articula razão(s) para avaliá‑la: o autor não só informa, mas julga e pondera consequências.

É também polêmico porque explora o conflito entre posições opostas — “defensores e críticos” — e ressalta a ausência de evidências (“mas não há provas disso”), revelando intenção de problematizar um consenso aparente.

Estruturalmente há tese inicial, desenvolvimento com argumentos e uso de modalizadores (ex.: “deve ser votada”), verbos avaliativos (ex.: “acham”, “sustentam”) e antíteses, marcas típicas do texto argumentativo polêmico.

Portanto, a classificação argumentativo polêmico é a mais adequada: o trecho busca persuadir e suscitar debate sobre a medida descrita.

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