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Questão FC304184

Texto Não foi só pelos beagles... A experimentação animal é uma fraude científica inicialmente questionada em 1968 por Hans Ruesch, através de dois livros – “Matança de inocentes”

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2013

Texto


Não foi só pelos beagles...


A experimentação animal é uma fraude científica inicialmente questionada em 1968 por Hans Ruesch, através de dois livros – “Matança de inocentes” e “A grande fraude” ‐, nos quais prova que animais não são anatômica e fisiologicamente semelhantes aos seres humanos e que tal metodologia só acontece para lucro da indústria médico‐farmacêutica. Ruesch criou o grupo 1000 Médicos Contra a Vivissecção, que aponta aspectos do porquê de cientistas perpetuarem tal erro.


A “ciência médica” atual se conceituou como “a verdadeira” no fim do século XIX, apoiada por interesses econômicos, pois até então a “ciência natural” era a mais usada no mundo. Foram os magnatas americanos Carnegie e Rockefeller, interessados em investir na fabricação de remédios utilizando os subprodutos das suas empresas de siderurgia e petróleo, que financiaram um estudo sobre “A Educação Médica nos EUA e Canadá”, encomendado ao educador Abraham Flexner.


Antevendo as possibilidades apontadas pelo Relatório Flexner (1910), o governo americano passou a dar total ênfase à microbiologia e à farmacologia, começando, então, o uso de drogas pesadas e os testes sistemáticos com animais como método “científico”. No Brasil tal reforma é implantada em 1968 sob os auspícios da Fundação Rockefeller.


Sendo o homem um animal de rebanho, deixa de pensar ou contestar se está seguindo um líder. As grandes reformas socioculturais foram feitas por minorias desertoras de rebanhos. Hoje ativistas ocupam essa função questionadora por saber que a experimentação animal é feita somente como garantia jurídica contra qualquer desastre farmacológico. Por isso, bulas quilométricas acompanham os medicamentos.


A “ciência atual’ investe na magia e não na lógica. O estudante é induzido a não pensar, a assimilar pensamentos alheios e se curvar às autoridades. Os médicos licenciados são sacerdotes dessa religião que não perdoa os opositores das “verdades” médico‐científicas. Bruxas continuam sendo queimadas.


(Sheila Moura e Heloísa Arruda)
 

O texto lido é claramente argumentativo. Considerando o primeiro período do texto, assinale a afirmativa incorreta.

  1. a tese das autoras é a de que a experimentação animal é uma fraude.
  2. as autoras apelam para argumentos de autoridade.
  3. um dos argumentos na defesa da tese é o de que os animais são anatômica e fisiologicamente diferentes dos seres humanos.
  4. outro argumento em defesa da tese é a experimentação animal só é realizada com objetivo de lucro da indústria médico‐farmacêutica.
  5. o público‐alvo do texto é o grupo de cientistas envolvidos com a experimentação animal.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação de que o público‑alvo é o grupo de cientistas envolvidos com experimentação animal é incorreta porque o texto não adota um tom técnico nem apresenta dados e argumentos especializados que convencem pares científicos.

Ao invés disso, há uso de linguagem carregada e retórica persuasiva — termos como “fraude”, “sacerdotes” e imagens de bruxas queimadas — que visam mobilizar emoções e questionar autoridades, característica de um discurso dirigido ao público geral e a ativistas, não a especialistas.

Além disso, referências históricas e conspiratórias (Flexner, Rockefeller) são apresentadas como provas contundentes, estratégia típica de textos argumentativos para leigos, não de comunicação científica entre pesquisadores, que priorizariam evidências técnicas e linguagem neutra.

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