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Questão FC304187

Fora de foco Deve‐se ao desenvolvimento de remédios e terapias, a partir de experimentos científicos em laboratórios com o uso de animais, parcela considerável do exponencial aumen

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2013

Fora de foco


Deve‐se ao desenvolvimento de remédios e terapias, a partir de experimentos científicos em laboratórios com o uso de animais, parcela considerável do exponencial aumento da expectativa e da qualidade de vida em todo o mundo. É extensa a lista de doenças que, tidas como incuráveis até o início do século passado e que levavam à morte prematura ou provocavam sequelas irreversíveis, hoje podem ser combatidas com quase absoluta perspectiva de cura.


Embora, por óbvio, o homem ainda seja vítima de diversos tipos de moléstias para as quais a medicina ainda não encontrou lenitivos, a descoberta em alta escala de novos medicamentos, particularmente no último século, legou à Humanidade doses substanciais de fármacos, de tal forma que se tornou impensável viver sem eles à disposição em hospitais, clínicas e farmácias.


A legítima busca do homem por descobertas que o desassombrem do fantasma de doenças que podem ser combatidas com remédios e, em última instância, pelo aumento da expectativa de vida está na base da discussão sobre o emprego de animais em experimentos científicos. Usá‐los ou não é um falso dilema, a começar pelo fato de que, se não todos, mas grande parte daqueles que combatem o emprego de cobaias em laboratórios em algum momento já se beneficiou da prescrição de medicamentos que não teriam sido desenvolvidos sem os experimentos nas salas de pesquisa.


É inegável que a opção pelo emprego de animais no desenvolvimento de fármacos implica uma discussão ética. Mas a questão não é se o homem deve ou não recorrer a cobaias; cientistas de todo o mundo, inclusive de países com pesquisas e indústria farmacêutica mais avançadas que o Brasil, são unânimes em considerar que a ciência ainda não pode prescindir totalmente dos testes com organismos vivos, em razão da impossibilidade de se reproduzir em laboratório toda a complexidade das cadeias de células. A discussão que cabe é em relação à escala do uso de animais, ou seja, até que ponto eles podem ser substituídos por meios de pesquisas artificiais, e que protocolo seguir para que, a eles recorrendo, lhes seja garantido o pressuposto da redução (ou mesmo eliminação) do sofrimento físico.


(O Globo, 21/11/2013)

 

O texto lido é, quanto ao gênero textual, classificado como

  1. descritivo.
  2. narrativo.
  3. dissertativo expositivo.
  4. dissertativo argumentativo.
  5. injuntivo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A opção dissertativo-argumentativa indica um texto que expõe uma tese e a defende por meio de argumentos para convencer o leitor. No texto, o autor sustenta que a pesquisa com animais, embora eticamente complexa, é ainda necessária e deve ser regulada para reduzir o sofrimento.

Percebe-se a presença de juízo de valor, justificativas (avanços médicos, impossibilidade tecnológica atual) e proposta de encaminhamento (definição de protocolos e redução do sofrimento), elementos típicos da argumentação.

Assim, trata‑se de um texto que não apenas informa, mas posiciona‑se e busca persuadir, caracterizando‑o como dissertativo-argumentativo.

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