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Questão FC304215

A “doença da pressa” parece acometer cada vez mais indivíduos no mundo atual. Não se sabe exatamente se as exigências da atualidade estão gerando esse padrão comportamental, ou se

Tipologia e Gênero Textual

FGV · 2009

A doença da pressa


A “doença da pressa” parece acometer cada vez mais indivíduos no mundo atual. Não se sabe exatamente se as exigências da atualidade estão gerando esse padrão comportamental, ou se as pessoas que sofrem da pressa e afobação já nascem com essa tendência. Também existem estudiosos que acreditam que o modo de criação das crianças pode contribuir para o desenvolvimento dessa característica. Mas o que é a “doença da pressa”?


Trata-se de um conjunto de ações e emoções que inclui ambição, agressividade, competitividade, impaciência, tensão muscular, estado de alerta, fala rápida e enfática e um ritmo de atividade acelerado. Essas características se constituem em um estilo de vida que inclui muitas demandas, segundo o qual a pessoa está sempre pressionada pelo tempo, que se torna curto para a realização de tantas tarefas. Muitas das pessoas acometidas pela “doença da pressa” passam toda a sua vida queixando-se de tanto trabalhar, de como precisam correr para dar conta de todas as suas atividades, reclamam da competitividade no trabalho, das exigências de produtividade, de prazos irreais, enfim, de como sua vida é difícil. No entanto, observa-se que, na maioria das vezes, são elas próprias que transformam suas vidas nesse corre-corre sem fim. Essas pessoas, portanto, costumam ser vítimas de si mesmas e de um estilo de vida estressante auto-produzido.


Normalmente, pessoas com a “doença da pressa” se sentem valorizadas por serem capazes de manter um ritmo cada vez mais rápido e uma intensidade cada vez maior nas atividades em que se engajam. Envolvem-se em lutar para alcançar metas, sendo super-conscienciosas e dedicadas ao trabalho. Costumam se esforçar para sempre se superarem nas tarefas, até mesmo no lazer, ocupando todo o seu dia com alguma tarefa e experimentando sentimentos de culpa quando estão paradas.


Apesar de o mundo moderno estar exigindo do ser humano cada vez mais conhecimento, aprimoramento e dinamismo, nem todas as pessoas apresentam a “doença da pressa”. Algumas pessoas conseguem manter um ritmo mais lento, serem mais contemplativas e planejarem suas ações, vivendo a vida de modo bastante diferente dos superapressados. No entanto, se a pessoa não acompanhar o ritmo exigido pela sociedade contemporânea, pode ter sérias dificuldades de adaptação, observando-se a necessidade de um misto de comportamentos mais apressados e mais lentos que devem ser acionados dependendo da situação. Esse manejo é fundamental para uma boa qualidade de vida.


(Texto adaptado de NOVAES, L. In: Com ciência. Revista Eletrônica de Jornalismo Científico – SBPC http://www.comciencia.br/comciencia)

 

A respeito da tipologia textual, é correto afirmar que o texto:

  1. constitui uma dissertação argumentativa acerca dos malefícios da “doença da pressa” em relação à qualidade de vida.
  2. apresenta uma descrição da “doença da pressa”, porque se ocupa fundamentalmente de sua caracterização.
  3. constitui uma narração, uma vez que se ocupa do relato de portadores da “doença da pressa”, comum nos dias atuais.
  4. constitui uma dissertação argumentativa acerca das causas e consequências do estresse na sociedade moderna.
  5. apresenta uma descrição da “doença da pressa”, porque defende um ponto-de-vista acerca das causas da referida patologia.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A opção B está correta porque o texto realiza sobretudo uma descrição da “doença da pressa”, isto é, dedica-se a expor suas características e modos de manifestação. Observa-se uma listagem sistemática de traços (ambição, impaciência, fala rápida, tensão muscular), comportamentos (ritmo acelerado, ocupação constante, culpa ao parar) e consequências (estresse, dificuldade de adaptação), o que constitui um tratamento descritivo.

Além disso, o texto usa qualificadores e exemplos para tornar a imagem da condição mais precisa e reconhecível, traçando um perfil típico do indivíduo acometido. Essa focalização na caracterização — atributos, manifestações e contexto — é o critério que justifica categorizá‑lo como descrição.

Por isso, a alternativa que afirma que o texto apresenta uma descrição da “doença da pressa” é a correta.

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