Questão FC304595
Texto 1 – Alterar o ECA independe da situação carcerária Nas unidades de internação de menores infratores reproduzem-se as mesmas mazelas dos presídios para adultos: superpopulação
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2015
Texto 1 – Alterar o ECA independe da situação carcerária
Nas unidades de internação de menores infratores reproduzem-se as mesmas mazelas dos presídios para adultos: superpopulação, maus-tratos, desprezo por ações de educação, leniência com iniciativas que visem à correição, falhas graves nos procedimentos de reinclusão social etc. Um levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público mostra que, em 17 estados, o número de internos nos centros para jovens delinquentes supera o total de vagas disponíveis; conservação e higiene são peças de ficção em 39% das unidades e, em 70% delas, não se separam os adolescentes pelo porte físico, porta aberta para a violência sexual.
Assim como os presídios, os centros não regeneram. Muitos são, de fato, e também a exemplo das carceragens para adultos, locais que pavimentam a entrada de réus primários no mundo da criminalidade. Esta é uma questão que precisa ser tratada no âmbito de uma reforma geral da política penitenciária, aí incluída a melhoria das condições das unidades socioeducativas para os menores de idade. Nunca, no entanto, como argumento para combater a adequação da legislação penal a uma realidade em que a violência juvenil se impõe cada vez mais como ameaça à segurança da sociedade.
O raciocínio segundo o qual as más condições dos presídios desaconselham a redução da maioridade penal consagra, mais do que uma impropriedade, uma hipocrisia. Parte de um princípio correto – a necessidade de melhorar o sistema penitenciário do país, uma unanimidade – para uma conclusão que dele se dissocia: seria contraproducente enviar jovens delinquentes, supostamente ainda sem formação criminal consolidada, a presídios onde, ali sim, estariam expostos ao assédio das facções.
Falso. A realidade mostra que ações para melhorar as condições de detentos e internos são indistintamente inexistentes. A hipocrisia está em obscurecer que, se o sistema penitenciário tem problemas, a rede de “proteção” ao menor consagrada no Estatuto da Criança e do Adolescente também os tem. E numa dimensão que implica dar anteparo a jovens envolvidos em atos violentos, não raro crimes hediondos, cientes do que estão fazendo e de que, graças a uma legislação paternalista, estão a salvo de serem punidos pelas ações que praticam.
Preservar o paternalismo e a esquizofrenia do ECA equivale a ficar paralisado diante de um falso impasse. As condições dos presídios (bem como dos centros de internação) e a violência de jovens delinquentes são questões distintas, e pedem, cada uma em seu âmbito específico, soluções apropriadas. No caso da criminalidade juvenil, o correto é assegurar a redução do limite da inimputabilidade, sem prejuízo de melhorar o sistema penitenciário e a rede de instituições do ECA. Uma ação não invalida a outra. Na verdade, as duas são necessárias e imprescindíveis.
(O Globo, Opinião, 23/06/2015)
“...seria contraproducente enviar jovens delinquentes a presídios”; se desenvolvermos a oração reduzida desse segmento do texto 1, a forma adequada seria:
- que se enviasse jovens delinquentes a presídios;
- que se enviem jovens delinquentes a presídios;
- que se enviassem jovens delinquentes a presídios;
- que enviemos jovens delinquentes a presídios;
- que se envie jovens delinquentes a presídios.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A forma desenvolvida apresentada — que se enviassem jovens delinquentes a presídios — corresponde à transformação correta da oração reduzida "seria contraproducente enviar jovens delinquentes a presídios".
Primeiro, introduzimos a conjunção integrante que, convertendo a oração reduzida em oração subordinada substantiva subjetiva, que exerce função de sujeito.
Em seguida, flexionamos o verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo (enviassem) para manter a correlação temporal e modal com "seria" (futuro do pretérito), indicando hipótese.
Além disso, há concordância com o sujeito paciente plural "jovens delinquentes" (3.ª pessoa do plural) e emprego da voz passiva sintética pelo uso do se como partícula apassivadora.
Forma equivalente em voz passiva analítica: que jovens delinquentes fossem enviados a presídios.
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