Questão FC304597
Mandamentos do consumismo I A publicidade cerca-nos de todos os lados - na TV, nas ruas, nas revistas e nos jornais – e força-nos a ser mais consumidores que cidadãos. Hoje, tudo s
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2015
Mandamentos do consumismo I
A publicidade cerca-nos de todos os lados - na TV, nas ruas, nas revistas e nos jornais – e força-nos a ser mais consumidores que cidadãos. Hoje, tudo se reduz a uma questão de marketing. Uma empresa de alimentos geneticamente modificados pode comprometer a saúde de milhões de pessoas. Não tem a menor importância, se uma boa máquina publicitária for capaz de tornar a sua marca bem aceita entre os consumidores. Isso vale também para o refrigerante que descalcifica os ossos, corrói os dentes, engorda e cria dependência. Ao bebê-lo, um bando de jovens exultantes sugere que, no líquido borbulhante, encontra-se o elixir da suprema felicidade.
A sociedade de consumo é religiosa às avessas. Quase não há clipe publicitário que deixe de valorizar um dos sete pecados capitais: soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria. Capital significa cabeça. Ensina meu confrade Tomás de Aquino (1225-1274) que são capitais os pecados que nos fazem perder a cabeça e dos quais derivam inúmeros males.
A soberba faz-se presente na publicidade que exalta o ego, como o feliz proprietário de um carro de linhas arrojadas ou um portador de cartão de crédito que funciona como a chave capaz de abrir todas as portas do desejo. A inveja faz as crianças disputarem qual de suas famílias tem o melhor veículo. A ira caracteriza o nipônico quebrando o televisor por não ter adquirido algo de melhor qualidade. A preguiça está a um passo dessas sandálias que convidam a um passeio de lancha ou abrem as portas da fama com direito a uma confortável casa com piscina. A avareza reina em todas as poupanças e no estímulo aos prêmios de carnês. A gula, nos produtos alimentícios e nas lanchonetes que oferecem muito colesterol em sanduíches piramidais. A luxúria, na associação entre a mercadoria e as fantasias eróticas: a cerveja espumante identificada com mulheres que exibem seus corpos em reduzidos biquínis.
(Frei Betto, 08/05/2011)
“Hoje, tudo se reduz a uma questão de marketing.”
A frase reescrita abaixo que NÃO conserva o sentido original do texto é:
- Tudo se reduz, hoje, a uma questão de marketing.
- Tudo, hoje, se reduz a uma questão de marketing.
- Hoje, tudo é reduzido a uma questão de marketing.
- Tudo é reduzido, hoje, a uma questão de marketing.
- Tudo se reduz a uma questão, hoje, de marketing.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase da alternativa correta, a posição de hoje altera o alcance do adjunto adverbial de tempo. No enunciado original, “Hoje, tudo se reduz a uma questão de marketing.” o advérbio hoje modifica o verbo se reduz: indica que, no tempo presente, a ação de reduzir tudo ao marketing ocorre agora.
Já em “Tudo se reduz a uma questão, hoje, de marketing” o advérbio passa a qualificar a expressão substantiva seguinte — isto é, a “questão” — sugerindo que essa questão é, atualmente, de marketing. Assim, o foco temporal deixa de incidir sobre a ação e passa a incidir sobre a natureza da “questão”, mudando o sentido original.
Em suma: a mudança de posição de hoje desloca seu papel sintático (e semântico), alterando a ideia de tempo que incide sobre o verbo para incidir sobre o substantivo.
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