Questão FC304634
O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco?
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2014
BEM TRATADA, FAZ BEM
Sérgio Magalhães, O Globo
O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco?
Talvez o automóvel não seja descartável tão facilmente. Este jornal, em uma série de reportagens, nestes dias, mostrou o privilégio que os governos dão ao uso do carro e o desprezo ao transporte coletivo. Surpreendentemente, houve entrevistado que opinou favoravelmente, valorizando Los Angeles – um caso típico de cidade rodoviária e dispersa.
Ainda nestes dias, a ONU reafirmou o compromisso desta geração com o futuro da humanidade e contra o aquecimento global – para o qual a emissão de CO2 do rodoviarismo é agente básico. (A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito.)
O transporte também esteve no centro dos protestos de junho de 2013. Lembremos: ele está interrelacionado com a moradia, o emprego, o lazer.
Como se vê, não faltam razões para o debate do tema.
“A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito”; nesse trecho do texto, o segmento “acaba de divulgar estudo” poderia ser substituído por um termo menos extenso, com a ajuda de um prefixo ou sufixo: “estudo recém-divulgado”. A frase abaixo em que esse mesmo processo foi feito de forma INADEQUADA é:
- Os estudos estão sendo lidos de novo / relidos;
- A passeata carregava uma faixa contrária ao transporte público / antitransporte público;
- Os automóveis foram valorizados acima do normal / hipervalorizados;
- As autoridades precisam fazer análises de si mesmas / retroanálises;
- O Congresso votou um projeto a favor de carros elétricos / pró-carros elétricos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A substituição indicada é inadequada porque altera o sentido exigido pelo contexto. A expressão “análises de si mesmas” indica ação reflexiva — as autoridades analisam a si próprias.
O prefixo retro- denota ideia de movimento ou direção para trás (retrocesso, retroagir). Assim, retroanálises sugeriria estudos voltados ao passado ou a uma análise “para trás”, não a uma análise realizada sobre o próprio sujeito.
Para manter o valor reflexivo seria adequado empregar o prefixo auto- (por ex., autoanálises, autoavaliações) ou locuções como análises de si mesmas. Portanto, a substituição por retroanálises é semanticamente imprópria.
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