Questão FC304645
Efeito Maracanã “Me chama de Copa e investe em mim. Assinado: educação." Nas manifestações de junho do ano passado, esse foi um dos cartazes mais replicados pelo país entre aqueles
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2014
Efeito Maracanã
“Me chama de Copa e investe em mim. Assinado: educação." Nas manifestações de junho do ano passado, esse foi um dos cartazes mais replicados pelo país entre aqueles que cobravam para nossas escolas o mesmo padrão Fifa de qualidade que estava sendo entregue aos estádios.
Tanto no futebol quanto na educação, há quem sinta saudade dos tempos em que o Brasil sediou seu primeiro Mundial. O curioso é que, de lá para cá, nossas escolas públicas sofreram uma espécie de efeito Maracanã ao contrário: perderam qualidade, mas ficaram mais democráticas.
No dia mais triste do futebol brasileiro, quando perdemos a Copa de 1950 para o Uruguai, 200 mil torcedores sofreram mal-ajambrados no recém inaugurado Maracanã. Depois de sucessivas reformas que consumiram mais e mais recursos públicos, a lotação caiu para 79 mil pessoas, e o estádio foi se elitizando até chegar ao atual padrão Fifa, em que poucos têm acesso aos jogos, mas com conforto incomparável ao que se via no passado.
Enquanto isso, a educação pública trilhava caminho oposto. Há 64 anos, segundo estatísticas do IBGE, havia 4,9 milhões de alunos matriculados no que hoje chamamos de ensinos fundamental e médio. Considerando que a população de 5 a 19 anos, em 1950, era de 19 milhões de brasileiros, podemos estimar que apenas um em cada quatro crianças ou jovens estudava. Atualmente, nessa mesma faixa etária, há 49 milhões de brasileiros, e 87% deles estão matriculados em algum nível de ensino.
O atraso brasileiro na educação não foi fruto do acaso. Em 1950, 51% da população adulta não sabiam ler e escrever. Nos Estados Unidos daquele mesmo ano, essa proporção era de apenas 3%, patamar que até hoje não conseguimos alcançar. A taxa mais recente de analfabetismo divulgada pelo IBGE foi de 9%. Não há dados objetivos para comparar a qualidade do ensino de meados do século passado com a de agora, mas, pelos relatos de quem estudou nas escolas públicas daquele período e por circunstâncias que nunca mais se repetiram em nossa História, é razoável supor que tivemos uma época de ouro na educação, ao menos para uma minoria de alunos.
Um dos fatores que contribuíram para isso foi o perfil dos professores. Em 1950, o magistério era ainda uma profissão de prestígio e uma as poucas a abrir suas portas para as mulheres. Aos poucos, no entanto, a carreira foi ficando menos atrativa em termos salariais. Além disso, uma parcela da força de trabalho feminina que antes tinha como única opção ser professora foi superando barreiras e conquistando espaço em outras profissões universitárias.
Esse movimento veio acompanhado do aumento das matrículas. A educação pública foi ficando menos excludente, e nela passaram a ingressar mais filhos de pais de instrução precária e dos mais pobres entre os pobres do país. Ainda estamos longe de garantir um ensino universal de qualidade, mas nas escolas públicas, ao menos no nível fundamental, há espaço para todos.
Vai ter Copa, a minha camisa do Brasil já está separada. O fato de confrontarmos os investimentos no esporte chamado de paixão nacional com a situação do ensino público é um sinal positivo de estarmos amadurecendo e, aos poucos, colocando as prioridades nos seus devidos lugares. É hora mesmo de cobrar um padrão alto de qualidade na educação. Para todos.
(GOIS, Antônio. Efeito Maracanã. O Globo. Seção: Sociedade. Rio de Janeiro, 09.06.2014, p. 26)
“O fato de confrontarmos os investimentos no esporte chamado de paixão nacional com a situação do ensino público é um sinal positivo de estarmos amadurecendo e, aos poucos, colocando as prioridades nos seus devidos lugares.”
Considerando o trecho destacado do texto, assinale o período que reescrito, com alguns ajustes, mantém mais de perto o sentido original:
- o fato de os brasileiros confrontarem os altos investimentos no futebol, considerado paixão nacional, com os baixos salários dos professores é um sinal favorável no sentido de estarmos nos conscientizando de que as prioridades estão mudando;
- a desigualdade entre as aplicações financeiras nos estádios destinados ao futebol e os recursos investidos na construção de escolas públicas de qualidade mostra que amadurecemos, mas não conseguimos ainda estabelecer nossa prioridade;
- o fato de se confrontarem os investimentos no futebol, considerado paixão nacional, com a situação do ensino público é um indício positivo do amadurecimento dos brasileiros e da gradativa colocação das prioridades nos seus devidos lugares;
- o fato de ter havido massificação no ensino público indica que os recursos destinados à Copa do Mundo e os destinados à educação finalmente se equipararam, um sinal claro de equilíbrio e amadurecimento da sociedade brasileira;
- o fato de se confrontarem os investimentos em estádios padrão Fifa com a precariedade do ensino no Brasil indica a convicção de que as recentes manifestações já surtiram efeito no sentido de se colocarem as nossas prioridades nos seus devidos lugares.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa C reescreve o trecho mantendo o mesmo conteúdo e alcance sem acrescentar ou omitir informação relevante.
Ao usar “o fato de se confrontarem”, mantém-se a ideia impessoal do original (“o fato de confrontarmos”), preservando a ação impessoal/indeterminada.
O termo “futebol, considerado paixão nacional” equivale a “esporte chamado de paixão nacional”.
Substituir “sinal” por “indício” é apenas sinonímico, sem alterar a força argumentativa.
Do mesmo modo, “gradativa” traduz com precisão “aos poucos”.
Por fim, a construção conserva o foco: confrontar investimentos esportivos com a situação da educação é apresentado como evidência do amadurecimento da sociedade e da colocação progressiva das prioridades em seus devidos lugares.
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