Questão FC304685
Somos um povo fútil? “No Brasil, tudo vira moda. Até manifestação de rua.” Ouvi essa frase de um motorista de táxi durante os acontecimentos de junho, e achei um exagero. Rebati, d
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2014
Somos um povo fútil?
“No Brasil, tudo vira moda. Até manifestação de rua.”
Ouvi essa frase de um motorista de táxi durante os acontecimentos de junho, e achei um exagero. Rebati, dizendo que o povo nas ruas tinha um significado imenso e ira propiciar a mudança de várias leis. Ele me olhou pelo retrovisor e respondeu que era verdade, mas que via muitos jovens, a caminho das manifestações, agindo como se estivessem indo para um bloco de carnaval. “É a onda do momento”, insistiu. “Daqui a pouco passa.”
Em poucas semanas, as manifestações começaram a esvaziar. Os motivos eram muitos: a ação dos black blocks, as depredações, a violência da polícia, as denúncias de interesses escusos por parte de políticos, milicianos, traficantes. Mas não pude deixar de pensar nas palavras do motorista de táxi.
Tornei a pensar nelas há algumas semanas, ao voltar de uma viagem de quase um mês à Alemanha. Ao desembarcar no Brasil, fui tomada pela sensação de que somos mesmo um país de modismos. Um povo fútil. Sei que é um clichê essa história de ir à Europa e voltar falando de “um banho de civilização”. Sempre fui contra isso. Mas, desta vez – depois de visitar 11 museus, duas exposições, de ir a um concerto de música clássica e de visitar uma feira gigantesca de livros –, alguma coisa aconteceu comigo.
Acho que uma das razões dessa sensação foi a leitura, durante a viagem, do livro de Mário Vargas Llosa, “A civilização do espetáculo”. Embora em alguns pontos eu discorde do escritor, o livro me chamou a atenção para a destruição da cultura no mundo moderno, em favor do entretenimento. Esse conceito me deixou pensando no Brasil – nesse país que não lê livros, mas onde quase todo mundo tem celular. Onde se veem, nos bairros pobres, antenas parabólicas sobre casas miseráveis, onde há mais televisores do que geladeiras, e onde, em vez de bibliotecas, temos lan houses. País que parece ter passado, em massa, do analfabetismo funcional para o Facebook – sem escalas.
(....) Voltei da viagem com essa sensação de que somos mesmo fúteis, superficiais, e me lembrei do motorista de táxi.
(Heloísa Seixas, O Globo, 14 de dezembro de 2013)
“Tornei a pensar nelas há algumas semanas”. A expressão “há algumas semanas” é substituída de forma incorreta por
- “passadas algumas semanas”.
- “algumas semanas atrás”.
- “faz algumas semanas”.
- “poucas semanas atrás”.
- “semanas atrás”.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A expressão original "há algumas semanas" usa o verbo haver de forma impessoal com valor temporal, equivalente a "algumas semanas atrás". Indica o tempo decorrido até o momento em que o enunciador recorda o fato.
Já a forma "passadas algumas semanas" introduz ideia de posterioridade ou sequenciamento: significa "depois que se passaram algumas semanas" — isto é, duas ações em sequência (primeiro passam as semanas; depois ocorre o pensar).
Portanto, a substituição é inadequada porque altera a relação temporal original: transforma um marco temporal retrospectivo ("há...") em uma circunstância que exige conclusão de um intervalo antes do ato de pensar, mudando o sentido da frase.
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