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Questão FC304692

Na África do Sul, o arcebispo anglicano Desmond Tutu, uma das mais destacadas figuras da luta contra o apartheid, lidera uma campanha internacional de denúncia das leis antigays. E

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2014

Texto I

 

Francisco, os gays e a doutrina

 

“Se alguém que é gay procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá‐lo?” A declaração do Papa Francisco, pronunciada durante uma entrevista à imprensa no final de sua visita ao Brasil, ecoou como um trovão mundo afora. Nela, existe mais forma que substância – mas a forma conta.

 

A homossexualidade é um tabu no Vaticano. Bento XVI, o antecessor de Francisco, escreveu apenas oito anos atrás que a homossexualidade é uma “desordem objetiva” e “uma forte inclinação dirigida para um pecado mortal intrínseco”. Francisco não contestou Bento XVI – e talvez concorde com ele. Contudo, usou o termo coloquial “gay”, algo antes impensável, e colocou o acento em outro lugar: “Quem sou eu para julgá‐lo?”

 

Francisco deslocou o problema. Sob a lógica de sua declaração revolucionária, o problema não é de substância (ser gay), mas de circunstância (viver à luz de Deus). Ele não foi além disso. Entretanto, nas dioceses distantes, a frase provocará debates, e muitos a interpretarão como uma licença implícita para ordenar padres que são gays, mas celibatários. “Não fale, não pergunte”: essa foi a orientação de Bill Clinton que começou a abrir as portas das forças armadas americanas aos gays. Francisco disse quase o mesmo.

 

“Quem sou eu para julgá‐lo?” – isso, dito pelo Papa, não é pouca coisa. O impacto da declaração não está confinado às fronteiras da Igreja. Em dezenas de países, especialmente nos da África, existem leis contra gays. A Rússia de Vladimir Putin acaba de criar uma lei desse tipo. Estados e governos querem a prerrogativa de “julgar” – e de punir! – a orientação sexual das pessoas. Quando a Igreja ensaia rever sua anacrônica posição sobre os homossexuais, algo de relevante está acontecendo.

 

Na África do Sul, o arcebispo anglicano Desmond Tutu, uma das mais destacadas figuras da luta contra o apartheid, lidera uma campanha internacional de denúncia das leis antigays. Ele declarou que repudiaria “um Deus homofóbico”. Francisco ficou bem longe disso, mas suas palavras anunciam o fim de um tempo de escuridão. A pergunta que emerge delas é bem simples: se o Papa não tem o direito de “julgar” os gays, quem são as autoridades políticas para fazê‐lo?

 

(Axé Silva, O Mundo, setembro 2013

 

“Entretanto, nas dioceses, a frase provocará debates”.

 

Assinale a opção em que a reescritura dessa frase do texto, do ponto de vista gramatical, está incorreta.

  1. Nas dioceses, porém, a frase provocará debates.
  2. A frase provocará debates, todavia, nas dioceses.
  3. A frase, no entretanto, provocará debates nas dioceses.
  4. Mas a frase provocará debates nas dioceses.
  5. A frase, contudo, provocará debates nas dioceses.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

"A frase, no entretanto, provocará debates nas dioceses."

A construção está incorreta porque “no entretanto” não é forma válida em português. “Entretanto” é uma conjunção/advérbio adversativo que já cumpre a função de ligação; usa‑se isoladamente: Entretanto, a frase...

Por outro lado, a locução correta que emprega artigo é “no entanto” (no + entanto), em que entanto funciona como substantivo e admite o artigo. Misturar o artigo no com a forma adverbial entretanto resulta em desvio gramatical.

Portanto, a frase indicada é errada por uso indevido da combinação “no” + “entretanto”.

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