Questão FC304700
Texto Cobrar responsabilidade No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado po
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2013
Texto
Cobrar responsabilidade
No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado por câmeras do sistema de segurança do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado pela polícia, mas – apesar de todos os registros que não deixam dúvidas sobre a autoria do assassinato – não ficará um dia preso. Menor de idade, foi “apreendido” e levado a um centro de recolhimento. O máximo de punição a que está sujeito é submeter‐se, por três anos, à aplicação de medidas “socioeducativas”.
Não é um caso isolado na crônica de crimes cometidos por menores de idade no país. Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma circunstância que o transformou em mais um exemplo emblemático do equivocado abrigo legal que o Estatuto da Criança e do Adolescente confere a criminosos que estão longe de poderem justificar suas ações com o argumento da imaturidade: ao disparar friamente contra o estudante paulista, a assaltante estava a três dias de completar 18 anos. Pela selvageria do assassinato, o caso remete à barbárie de que foi vítima, no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também nesse episódio, um dos bandidos que participaram do martírio do garoto estava a pouco tempo de atingir a maioridade.
Nos dois casos, convencionou‐se, ao anteparo do ECA, que a diferença de alguns dias – ou, ainda que o fosse, de alguns meses – teria modificado os padrões de discernimento dos assassinos. Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas organizadas, ou serve de salvo‐conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.
O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino quanto perverso: colocam‐se jovens, muitos dos quais mal entraram na adolescência, na linha de frente de ações criminosas porque, protegidos pelo ECA, e diante da generalizada ruína administrativa dos órgãos encarregados de aplicar as medidas socioeducativas, na prática eles são inimputáveis. Tornam‐se, assim, personagens de vestibulares para a entrada em definitivo, sem chances de recuperação, numa vida de crimes.
É dever do Estado (em atendimento a um direito inalienável) prover crianças e adolescentes com cuidados, segurança, oportunidades, inclusive de recuperação diante de deslizes sociais. Neste sentido, o ECA mantém dispositivos importantes, que asseguram proteção a uma parcela da população em geral incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais. Mas, se estes são aspectos consideráveis, por outro lado é condenável o viés paternalista de uma lei orgânica que mais contempla direitos do que cobra obrigações daqueles a quem pretende proteger.
O país precisa rever o ECA, principalmente no que tange ao limite de idade para efeitos de responsabilidade criminal. É uma atitude que implica coragem (de enfrentar tabus que não se sustentam no confronto com a realidade) e o abandono da hipocrisia (que tem cercado esse imprescindível debate).
(O Globo, 22/04/2013)
“Um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na cabeça”.
Assinale a alternativa que indica a forma de reescrever essa frase do texto, modificando o seu sentido original ou apresentando desvio de norma culta.
- Em São Paulo, um assaltante matou um jovem com um tiro na cabeça.
- Um jovem foi morto por um assaltante em São Paulo com um tiro na cabeça.
- Com um tiro na cabeça, um assaltante matou um jovem em São Paulo.
- Um assaltante com um tiro na cabeça matou um jovem em São Paulo.
- Um assaltante, em São Paulo, matou um jovem com um tiro na cabeça.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A frase Um assaltante com um tiro na cabeça matou um jovem em São Paulo apresenta ambiguidade causada por um modificador deslocado. O segmento com um tiro na cabeça fica imediatamente após assaltante, parecendo adjunto que caracteriza o agente (o assaltante), e não o efeito do verbo sobre a vítima.
Assim, o enunciado passa a sugerir que o assaltante estava ferido, o que altera o sentido original (a vítima foi que levou o tiro). Trata‑se de um problema de colocação do adjunto adverbial/de instrumento, que, mal posicionado, compromete a interpretação.
Para preservar o sentido correto, o adjunto deve ficar associado ao predicado ou à vítima — por exemplo: Um assaltante matou um jovem com um tiro na cabeça — ou ser isolado por pontuação que torne clara sua função sintática.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em