Questão FC304714
A Nova Praga Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2013
A Nova Praga
Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.
Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.
(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.
(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)
Assinale a alternativa em que a substituição do termo sublinhado foi feita de forma adequada.
- “Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final...” / ainda.
- “...pelo menos o termo era totalmente apropriado” / assim mesmo.
- “...o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia” / teatral.
- “...deve estar se revirando no túmulo” / tumba.
- “...via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma” / assassinatos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na frase “deve estar se revirando no túmulo”, o autor usa uma imagem figurativa para indicar que alguém falecido reagiria com indignação se pudesse.
As palavras túmulo e tumba são sinônimas: ambas designam a sepultura, a cova coberta, e pertencem à mesma classe gramatical (substantivo). Portanto, a substituição preserva o sentido literal e o efeito metafórico da expressão.
Há apenas uma ligeira diferença de registro: túmulo tende a aparecer mais em textos literários e formais, enquanto tumba é de uso corrente. Mesmo assim, no contexto do trecho, tumba é plenamente adequada e mantém a coerência semântica e estilística.
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