Questão FC304716
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2013
Texto I
Consumo impróprio?
Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.
Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.
Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.
O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.
Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá‐lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.
E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)
“Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil”.
A forma de reescrever esse parágrafo do texto que altera o seu sentido original é:
- Provavelmente porque seria inútil, não existe um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
- Provavelmente não existe, porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
- Não há, talvez porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
- Um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil não existe, provavelmente porque seria inútil.
- Talvez porque seria inútil, não há um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
Na frase da alternativa correta, a posição do advérbio provavelmente e da oração causal altera o foco semântico do período original.
Originalmente, o autor afirma com certeza que não existe um levantamento e coloca provavelmente porque seria inútil como uma hipótese quanto ao motivo. Já em “Provavelmente não existe, porque seria inútil, um levantamento…”, provavelmente passa a incidir sobre a existência do levantamento (transformando-a em dúvida), enquanto porque seria inútil assume valor de explicação certa para a ausência.
Em resumo: há inversão entre certeza e dúvida — o que era certeza vira hipótese e o que era hipótese vira afirmação —, razão pela qual essa reescrita modifica o sentido original.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em