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Questão FC304717

Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2013

Texto I


Consumo impróprio?


Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.


A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.


Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.


Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.


O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.


Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá‐lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.


E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.


Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?


(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)

 

“Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples”.


No caso desse segmento do texto, o vocábulo “produto” se refere a “drogas”, mostrando a substituição de um termo específico (drogas) por um termo mais geral (produto). Assinale a frase em que ocorre o mesmo processo.

  1. Alguns traficantes de drogas foram presos e aqueles que transportavam maconha foram considerados de menor periculosidade.
  2. Já houve muitas leis que abordavam o comércio de drogas, mas nenhuma delas conseguiu impedir a venda do produto.
  3. As autoridades estão agora estudando um novo projeto de lei sobre as drogas, mas é difícil que deputados e senadores cheguem a uma conclusão de forma rápida.
  4. A internação obrigatória de viciados parece ser um desejo de toda a sociedade, mas a penalidade ainda tem muitos críticos.
  5. A venda de cocaína aumenta no momento de grandes festas populares e é curioso que até hoje não se saiba de onde provém tanta coca.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Hipônimo e hiperônimo são termos que indicam relação de especificidade: o hipônimo é mais específico e o hiperônimo, mais geral. No enunciado-base, drogas (específico) foi substituído por produto (geral).

Na alternativa correta, ocorre o mesmo movimento semântico: internação obrigatória é uma forma concreta e específica de punição/tratamento, ou seja, um hipônimo, enquanto penalidade funciona como termo mais amplo, um hiperônimo.

Portanto, a frase reproduz o mesmo mecanismo do trecho do texto — substituição de um termo particular por outro mais abrangente — o que justifica a escolha da alternativa D.

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