Questão FC304723
Fora de foco Deve‐se ao desenvolvimento de remédios e terapias, a partir de experimentos científicos em laboratórios com o uso de animais, parcela considerável do exponencial aumen
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2013
Fora de foco
Deve‐se ao desenvolvimento de remédios e terapias, a partir de experimentos científicos em laboratórios com o uso de animais, parcela considerável do exponencial aumento da expectativa e da qualidade de vida em todo o mundo. É extensa a lista de doenças que, tidas como incuráveis até o início do século passado e que levavam à morte prematura ou provocavam sequelas irreversíveis, hoje podem ser combatidas com quase absoluta perspectiva de cura.
Embora, por óbvio, o homem ainda seja vítima de diversos tipos de moléstias para as quais a medicina ainda não encontrou lenitivos, a descoberta em alta escala de novos medicamentos, particularmente no último século, legou à Humanidade doses substanciais de fármacos, de tal forma que se tornou impensável viver sem eles à disposição em hospitais, clínicas e farmácias.
A legítima busca do homem por descobertas que o desassombrem do fantasma de doenças que podem ser combatidas com remédios e, em última instância, pelo aumento da expectativa de vida está na base da discussão sobre o emprego de animais em experimentos científicos. Usá‐los ou não é um falso dilema, a começar pelo fato de que, se não todos, mas grande parte daqueles que combatem o emprego de cobaias em laboratórios em algum momento já se beneficiou da prescrição de medicamentos que não teriam sido desenvolvidos sem os experimentos nas salas de pesquisa.
É inegável que a opção pelo emprego de animais no desenvolvimento de fármacos implica uma discussão ética. Mas a questão não é se o homem deve ou não recorrer a cobaias; cientistas de todo o mundo, inclusive de países com pesquisas e indústria farmacêutica mais avançadas que o Brasil, são unânimes em considerar que a ciência ainda não pode prescindir totalmente dos testes com organismos vivos, em razão da impossibilidade de se reproduzir em laboratório toda a complexidade das cadeias de células. A discussão que cabe é em relação à escala do uso de animais, ou seja, até que ponto eles podem ser substituídos por meios de pesquisas artificiais, e que protocolo seguir para que, a eles recorrendo, lhes seja garantido o pressuposto da redução (ou mesmo eliminação) do sofrimento físico.
(O Globo, 21/11/2013)
“Embora, por óbvio, o homem ainda seja vítima...”.
O conectivo que não substitui adequadamente o sublinhado, por alterar o sentido da frase, é
- “Apesar de, por óbvio, o homem ainda ser vítima...”
- “Ainda que, por óbvio, o homem ainda seja vítima...”
- “Não obstante, por óbvio, o homem ainda ser vítima...”
- “Mesmo que, por óbvio, o homem ainda seja vítima...”
- “Sem que, por óbvio, ainda seja vítima...”
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
“Sem que, por óbvio, ainda seja vítima...” altera o sentido do trecho porque a locução sem que introduz ideia de ausência ou de ação ocorrendo sem a participação/ocorrência de algo, funcionando muitas vezes como elemento condicional/obstativo ("Entrou sem que alguém percebesse").
No texto original, “Embora, por óbvio, o homem ainda seja vítima” expressa uma relação concessiva — reconhece-se a condição contrária mas isso não impede o argumento principal. Ao trocar por “Sem que...”, passa-se a afirmar implicitamente que o homem não é vítima ou que algo ocorre na ausência dessa condição, o que contraria o sentido pretendido.
Portanto, a substituição é inadequada por provocar uma mudança semântica incompatível com o contexto.
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