Questão FC304748
Leia com atenção o texto abaixo e responda à questão. Texto Tempestades, calor e epidemias Fico desnorteado quando escuto falar de aquecimento global. Ouço as justificativas dos qu
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2010
Leia com atenção o texto abaixo e responda à questão.
Texto
Tempestades, calor e epidemias
Fico desnorteado quando escuto falar de aquecimento global.
Ouço as justificativas dos que o consideram uma ameaça à vida na Terra e fico com a impressão de que estão certos. Depois ouço opiniões contrárias, opostas até, e não encontro argumentos para contradizê-las.
O aforismo de que, numa discussão em que os contendores defendem hipóteses antagônicas, a verdade estará no meio termo, não deve ser aplicado em ciência pela simples razão de que uma das partes pode estar completamente equivocada. É o caso da evolução das espécies por seleção natural versus criacionismo, por exemplo.
A ignorância crassa em climatologia não é a única culpada de minha incapacidade de interpretar os estudos que servem de base para conclusões tão díspares. Os interesses econômicos, a politização e as paixões envolvidas nesse debate confundem e dificultam o entendimento.
Sem me envolver nessas controvérsias, no entanto, tomo a liberdade de resumir um artigo que acaba de ser publicado na revista "The New England Journal of Medicine" pela infectologista Emily Shuman, da Universidade de Michigan, sob o título "Mudanças Climáticas Globais e Doenças Infecciosas".
De forma bem simplificada, leitor, podemos dizer que as mudanças do clima acontecem como resultado do desequilíbrio entre as radiações que penetram e as que deixam a atmosfera. Ao entrar na atmosfera, parte das radiações solares é absorvida pela superfície da Terra e reemitida como radiação infravermelha.
Esses raios infravermelhos acabam absorvidos pelos gases liberados principalmente pelos combustíveis fósseis (metano, gás carbônico, óxido nitroso e outros), que deixaram de ser removidos da atmosfera por causa do desmatamento e da produção excessiva. Como esse processo de absorção gera calor, recebe o nome de efeito estufa.
Porque a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento atingiram níveis altos, as temperaturas globais têm subido num ritmo mais rápido do que em qualquer época, desde que começaram a ser medidas nos anos 1850. E as estimativas são de que ainda aumentem de 1,8 °C a 5,8 °C, até o fim deste século.
O aquecimento modificará o ciclo da água. Uma vez que o ar mais quente retém mais água do que o frio, em algumas regiões haverá muita chuva; em outras, as secas se repetirão. Tempestades e ondas de calor insuportável serão cada vez mais frequentes.
Tais variações climáticas terão forte impacto na incidência das doenças transmitidas por insetos e naquelas disseminadas através da água contaminada.
Os insetos se tornam mais ativos no calor. O mosquito da malária, por exemplo, requer temperaturas acima de 16 °C para completar seu ciclo de vida e necessita de água para botar os ovos. Temporadas de calor e chuvas torrenciais poderão causar milhões de novos casos da doença.
Ao contrário, epidemias como as do vírus do Nilo Ocidental, doença transmitida ao homem por mosquitos que picaram pássaros infectados, costumam disseminar-se nas secas, quando aves e insetos ficam mais próximos dos poucos reservatórios de água remanescentes.
Já há evidências de que mudanças climáticas introduziram epidemias em regiões anteriormente livres delas. É o caso da malária que hoje se espalha pelas terras altas do leste africano em razão de um clima muito mais quente e úmido do que o habitual na área.
Da mesma forma, diarreias epidêmicas, parasitoses intestinais e outras enfermidades transmissíveis por meio da água contaminada têm sua incidência aumentada, tanto por causa das dificuldades de saneamento nas secas, quanto por contaminação com esgotos, lixo e dejetos de animais durante as enchentes.
No ano 2000, a Organização Mundial da Saúde calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 188 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física, apenas na América Latina e Caribe; na África, foram 307 milhões de anos; no sudeste asiático, 1,7 bilhão. Esses números contrastam com os dos países industrializados: 8,9 milhões.
Independentemente das especulações sobre o futuro do clima, fica claro que os mais pobres já estão pagando a conta do desmatamento e das emissões de gases dos países desenvolvidos e das economias que crescem em ritmo acelerado como a chinesa e a indiana.
(Drauzio Varella. Folha de S.Paulo, 10 de abril de 2010.)
No ano 2000, a Organização Mundial da Saúde calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 188 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física, apenas na América Latina e Caribe; na África, foram 307 milhões de anos; no sudeste asiático, 1,7 bilhão. (L.34-36)
Assinale a alternativa em que a reestruturação do período acima tenha sido feita de acordo com as normas gramaticais, respeitando-se a integridade das informações originais.
- No ano 2000, a Organização Mundial da Saúde calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 188 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física, apenas na América Latina e Caribe; no sudeste asiático, foram 1,7 bilhão; 307 milhões de anos, na África.
- A Organização Mundial da Saúde calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 307 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física, apenas na África; foram 188 milhões de anos na América Latina e Caribe; no sudeste asiático, 1,7 bilhão no ano 2000.
- A Organização Mundial da Saúde calculou, no ano 2000, que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 188 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física, apenas na América Latina e Caribe; na África, foram 307 milhões de anos; no sudeste asiático, foram 1,7 bilhão.
- A Organização Mundial da Saúde calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 188 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física no ano 2000, apenas na América Latina e Caribe; no sudeste asiático, 1,7 bilhão ; na África, foram 307 milhões de anos.
- A Organização Mundial da Saúde, no ano 2000, calculou que doenças atribuíveis a mudanças climáticas haviam sido responsáveis pela perda de 307 milhões de anos de vida por morte prematura ou incapacidade física na África; foi 1,7 bilhão de anos no sudeste asiático; 188 milhões, apenas na América Latina e Caribe.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase reestruturada na alternativa E preserva corretamente a informação original porque a locução temporal no ano 2000 mantém-se como adjunto adverbial de tempo ligado ao verbo calculou, não à “perda”. Assim, a ação de calcular permanece referida ao ano indicado, preservando a semântica do enunciado de origem.
Além disso, a enumeração das regiões com seus respectivos valores está clara e fiel: cada parcela é separada por ponto-e-vírgula, recurso adequado para itens complexos que já contêm vírgulas. A associação numérico-regional não se perde nessa ordem diferente.
Quanto à concordância, observa-se a forma adequada em “foi 1,7 bilhão de anos”: o verbo concorda com o núcleo numeral “1,7 bilhão” no singular, garantindo correção gramatical.
Portanto, a alternativa E respeita tanto a integridade informativa quanto as normas da norma culta (posição do adjunto, pontuação e concordância), sendo a opção correta.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em