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Questão FC304756

Texto Uma pista: o câncer Aconteceu recentemente, em outubro de 2009. Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2010

Texto

 

Uma pista: o câncer

 

Aconteceu recentemente, em outubro de 2009. Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a decifrar por que nossas células envelhecem. A chave está numa palavra: telômeros. “O processo de envelhecimento é complexo e depende de vários fatores. Os telômeros são um deles”, declarou a Fundação Nobel, ao anunciar o prêmio.

 

Pra quem não se lembra das aulas de biologia, aqui vai a cola: telômeros são os fragmentos da ponta dos nossos cromossomos, como tampinhas que os protegem. Quando uma célula se divide, essa tampinha tende a ficar menor – e a célula, a se deteriorar. O processo, repetido a cada divisão celular, faz com que ela envelheça. Ou melhor: que você envelheça.

 

Mas em células cancerosas isso não acontece: elas se dividem sem sofrer danos. Por quê? Graças a uma enzima que estimula a construção do telômero, a telomerase. Segundo os vencedores do Nobel, a telomerase trabalha mais nas células cancerosas do que em outras, e as protege. Basicamente, é essa enzima que torna o câncer tão poderoso.

 

Apesar de premiada só agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80. E fez os cientistas pensar que a telomerase poderia prolongar nossa vida deixando células saudáveis tão resistentes quanto as cancerígenas. A pesquisadora Maria Blasco, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha, testou a hipótese com ratinhos. No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores – acabavam morrendo de câncer. Em 2008, a equipe de Blasco conseguiu controlar a difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de estudos com humanos. “Se pensarmos num aumento semelhante de expectativa de vida para pessoas, isso significaria morrer entre os 115 e os 120 anos”, diz a pesquisadora.

 

Ótimo. Mas calma lá: por que só até 120 anos, e não por toda a eternidade? É que, como o pessoal do Nobel disse, o envelhecimento é complexo. A telomerase ajudaria a aniquilar uma causa desse processo. Mas precisaríamos de armas diferentes para combater outras ameaças.

 

(João Vito Cinquepalmi. Superinteressante. Edição 275/ Fev. 2010, p.44)

 

No texto haveria modificação de informações originais, caso se substituísse:

  1. “Apesar de premiada só agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80.” (4º§) por Embora tenha sido premiada somente agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80.
  2. “Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a decifrar por que nossas células envelhecem.” (1º§) por terem começado a compreender o motivo que leva nossas células a envelhecer, três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um.
  3. “Em 2008, a equipe de Blasco conseguiu controlar a difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de estudos com humanos.” (4º§) por A equipe de Blasco, em 2008, teve êxito no controle da difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de realizar estudos com humanos.
  4. “No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores – acabavam morrendo de câncer.” (4º§) por No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram 50% mais do que os outros. Além disso, apresentaram mais tumores e acabavam morrendo de câncer.
  5. “Mas em células cancerosas isso não acontece: elas se dividem sem sofrer danos.” (3º§) por Mas em células cancerosas isso não acontece: elas se dividem sem sofrer prejuízos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Trecho original: “No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores – acabavam morrendo de câncer.”

Proposta: “No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram 50% mais do que os outros. Além disso, apresentaram mais tumores e acabavam morrendo de câncer.”

A substituição altera o valor lógico entre as orações. A conjunção “mas” é uma conjunção adversativa, que indica oposição ou contraste: o aumento da longevidade vem acompanhado de um efeito negativo grave.

Já “além disso” tem função aditiva, que simplesmente soma informações, sem expressar contradição. Assim, o novo enunciado apresenta os fatos como independentes, apagando o contraste essencial do original.

Portanto, a troca modifica o sentido do trecho — por isso a alternativa é a correta: a reescrita não mantém a informação original.

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