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Questão FC304761

Texto Se telefonar, não dirija O uso de telefones celulares revolucionou a comunicação entre as pessoas de forma que muitos esqueceram como vivíamos sem este aparelho fundamental à

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2010

Texto

 

Se telefonar, não dirija

 

O uso de telefones celulares revolucionou a comunicação entre as pessoas de forma que muitos esqueceram como vivíamos sem este aparelho fundamental à evolução da espécie. Tão logo um cidadão adquire o santo instrumento da felicidade humana, imediatamente se torna seu escravo. Viciado em fazer ligações e responder imediatamente a chamados. 

 

Qualquer dúvida, por mais banal que seja, torna-se uma urgência inadiável. A mão se estende rapidamente ao celular. A ligação é feita. Alívio geral. Na maior parte do dia, isso, além de cômico, não faz muito mal. Exceto ao bolso. 

 

Caso a pessoa esteja dirigindo, no entanto, falar ao telefone pode se transformar em tragédia. O estudo de dados científicos realizado há cinco anos demonstrou, claramente, a relação entre o uso do telefone celular e o aumento do risco de acidentes automobilísticos graves.

 

A maioria dessas pesquisas aponta para um momento de 4 a 5,9 vezes maior chance de o motorista se distrair e bater o carro. Recentemente, foram disseminados ao redor do mundo aparelhos capazes de garantir ao motorista a possibilidade de continuar a sua conversa telefônica sem precisar segurar o celular com uma das mãos. Os famosos métodos hands free, ou mãos livres: são fones de ouvido ligados diretamente ao telefone ou a tecnologia blue tooth, conectados sem fio, e ainda equipamentos viva-voz. Todos permitem telefonar mantendo as mãos ao volante. 

 

O problema parecia ter sido resolvido, mas estudos publicados recentemente chamam a atenção para o perigo dessas tecnologias. Umas pesquisa realizada na Universidade do Arizona, em Phoenix, demonstrou que o emprego de equipamentos hands free não conseguiu reduzir de forma clara os riscos de acidentes automobilísticos. Basta falar ao telefone, segurando ou não o aparelho, que este risco aumenta em mais de quatro vezes. O estudo demonstrou que dirigir enquanto se fala ao telefone tem o mesmo nível de risco de acidentes que dirigir bêbado, intoxicado por etanol. 

 

O problema do uso do celular ao volante não é das mãos, mas de cérebro. Problema de foco e atenção. Quando um indivíduo fala ao telefone, ele mobiliza uma parte importante do cérebro, responsável pela capacidade de atenção. 

 

Os especialistas em segurança de trânsito sugerem leis para banir totalmente o uso do celular ao volante dos carros. Vai ser uma guerra contra os lobbies da indústria dos celulares e de seus acessórios.

 

(Carta Capital, julho 2009)

 

“Caso a pessoa esteja dirigindo, no entanto, falar ao telefone pode se tornar uma tragédia”; a conjunção sublinhada pode ser substituída por todos os conectivos abaixo, mantendo-se o sentido original, exceto em:

  1. porém
  2. todavia
  3. apesar de
  4. entretanto
  5. contudo
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

“Apesar de” é uma locução prepositiva de valor concessivo, não uma conjunção adversativa como “no entanto”. Enquanto “no entanto” conecta orações coordenadas contrapondo uma ideia à outra, “apesar de” exige um termo regido (substantivo, pronome ou verbo em forma nominal) e introduz concessão.

Na frase dada, substituir diretamente por “apesar de” tornaria a construção gramaticalmente inadequada: *“Caso a pessoa esteja dirigindo, apesar de, falar ao telefone…”* — forma incorreta. Para usar “apesar de” seria preciso reestruturar: “Apesar de a pessoa estar dirigindo, falar ao telefone pode se tornar uma tragédia.”

Além de exigir alteração sintática, essa mudança também altera o foco: passa-se de uma oposição lógica entre orações para uma concessão sobre o fato, portanto não preserva o sentido e a estrutura originais.

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