FC ConcursosFC Concursos

Questão FC304774

Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2009

Texto

 

REFUNDAR AS POLÍCIAS

 

No Rio de Janeiro ninguém está satisfeito com as polícias, tanto Civil quanto Militar. Nem a sociedade, nem os próprios oficiais. Porém, as forças fluminenses não são as únicas em estado adiantado de degradação: suas deficiências apenas se tornaram mais visíveis.

 

Em quase todo o país as avaliações sobre essas corporações são negativas. Os baixos salários são o problema central e têm como consequência direta a necessidade de “bicos” para completar o orçamento familiar.

 

Nesse cenário, nada mais natural que a maioria dos policiais procure uma vaga na segurança privada. A lei proíbe, mas o bolso manda. E como não há fiscalização de fato para conter a jornada dupla, fica mais fácil burlar a regra - a responsabilidade sobre a segurança privada é da Polícia Federal, mas faltam agentes e sobram missões.

 

As secretarias estaduais, por sua vez, fingem que nada acontece. Se interviessem, implodiriam as contas públicas, que não resistiriam à emergência de uma demanda salarial reprimida. Afinal, é a segurança privada, informal e ilegal, que financia, indiretamente, a segurança pública, tornando possível um orçamento irreal. Eis aí o gato-orçamentário.

 

Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão aí para não nos deixar mentir. E os turnos de trabalho irracionais? Quem teria coragem de racionalizá-los, se isso implica a quebra da espinha dorsal do bico?

 

Nos últimos anos, sobretudo no Rio, a corrupção policial agravou-se. A arcaica política do “confronto” conferia ao policial a autoridade para matar de forma arbitrária. E, ao mesmo tempo, lhe dava tacitamente o poder para negociar a vida e a liberdade, instituindo uma moeda forte e atraente - e em permanente inflação. Assim, o combate “fora-da-lei” ao crime buscou liquidá-lo, utilizando-se de práticas como a execução de delinquentes. O resultado foi desastroso e paradoxal: uma polícia envolvida em dinâmicas criminosas e, portanto, impotente diante do próprio crime. (....)

 

(Luiz Eduardo Soares, Le Monde Diplomatique, janeiro 2009)

 

“Se interviessem, implodiriam as contas públicas,...”; uma outra forma de escrever-se essa mesma frase que altera o seu significado original é:

  1. Caso interviessem, as contas públicas seriam implodidas.
  2. Implodiriam as contas públicas, se interviessem.
  3. As contas públicas seriam implodidas, caso interviessem.
  4. Ainda que interviessem, implodiriam as contas públicas.
  5. Em caso de intervenção, implodiriam as contas públicas.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

A frase "Ainda que interviessem, implodiriam as contas públicas." usa a locução ainda que, de valor concessivo.

Isso significa que a oração introduzida por ainda que apresenta uma hipótese que, apesar de ocorrer, não impede o acontecimento expresso na oração principal.

Gramaticalmente, mantém-se a correlação verbal: interviessem (subjuntivo) indica hipótese, e implodiriam (condicional/futuro do pretérito) indica o efeito.

Semânticamente, a mudança é importante: enquanto uma condicional simples sugere causa/efeito, a construção concessiva afirma que, mesmo se houvesse intervenção, o resultado — a implosão das contas — permaneceria.

Portanto, a alternativa está correta por alterar o sentido original para uma relação de contrariedade que não anula o efeito.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo