Questão FC304775
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2009
Texto
REFUNDAR AS POLÍCIAS
No Rio de Janeiro ninguém está satisfeito com as polícias, tanto Civil quanto Militar. Nem a sociedade, nem os próprios oficiais. Porém, as forças fluminenses não são as únicas em estado adiantado de degradação: suas deficiências apenas se tornaram mais visíveis.
Em quase todo o país as avaliações sobre essas corporações são negativas. Os baixos salários são o problema central e têm como consequência direta a necessidade de “bicos” para completar o orçamento familiar.
Nesse cenário, nada mais natural que a maioria dos policiais procure uma vaga na segurança privada. A lei proíbe, mas o bolso manda. E como não há fiscalização de fato para conter a jornada dupla, fica mais fácil burlar a regra - a responsabilidade sobre a segurança privada é da Polícia Federal, mas faltam agentes e sobram missões.
As secretarias estaduais, por sua vez, fingem que nada acontece. Se interviessem, implodiriam as contas públicas, que não resistiriam à emergência de uma demanda salarial reprimida. Afinal, é a segurança privada, informal e ilegal, que financia, indiretamente, a segurança pública, tornando possível um orçamento irreal. Eis aí o gato-orçamentário.
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão aí para não nos deixar mentir. E os turnos de trabalho irracionais? Quem teria coragem de racionalizá-los, se isso implica a quebra da espinha dorsal do bico?
Nos últimos anos, sobretudo no Rio, a corrupção policial agravou-se. A arcaica política do “confronto” conferia ao policial a autoridade para matar de forma arbitrária. E, ao mesmo tempo, lhe dava tacitamente o poder para negociar a vida e a liberdade, instituindo uma moeda forte e atraente - e em permanente inflação. Assim, o combate “fora-da-lei” ao crime buscou liquidá-lo, utilizando-se de práticas como a execução de delinquentes. O resultado foi desastroso e paradoxal: uma polícia envolvida em dinâmicas criminosas e, portanto, impotente diante do próprio crime. (....)
(Luiz Eduardo Soares, Le Monde Diplomatique, janeiro 2009)
“Nos últimos anos, sobretudo no Rio, a corrupção policial agravou-se.”; a forma de reescrever-se essa frase do texto que altera o seu sentido original é:
- A corrupção policial, nos últimos anos, sobretudo no Rio, agravou-se.
- Mormente no Rio, nos últimos anos, a corrupção policial agravou-se.
- Nos últimos anos a corrupção policial agravou-se, sobretudo no Rio.
- Nos últimos anos, particularmente no Rio, a corrupção policial tornou-se mais grave.
- Agravou-se no Rio, sobretudo nos últimos anos, a corrupção policial.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase reescrita Agravou-se no Rio, sobretudo nos últimos anos, a corrupção policial altera o sentido porque muda a **posição do advérbio** e, com isso, o alvo da ênfase.
No original, «nos últimos anos, sobretudo no Rio» distribui-se assim: **tempo** (nos últimos anos) + **intensificação ligada ao lugar** (sobretudo no Rio), indicando que a piora ocorreu nos últimos anos e foi especialmente intensa no Rio.
Na versão proposta, «sobretudo» passa a intensificar «nos últimos anos» (ou seja, enfatiza a época), enquanto «no Rio» fica imediatamente associado ao verbo. Resultado: a ênfase recai sobre a dimensão temporal — a agravamento aconteceu no Rio, mas foi **principalmente nos últimos anos** — alteração clara do foco semântico original.
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