Questão FC304776
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FGV · 2009
Texto
REFUNDAR AS POLÍCIAS
No Rio de Janeiro ninguém está satisfeito com as polícias, tanto Civil quanto Militar. Nem a sociedade, nem os próprios oficiais. Porém, as forças fluminenses não são as únicas em estado adiantado de degradação: suas deficiências apenas se tornaram mais visíveis.
Em quase todo o país as avaliações sobre essas corporações são negativas. Os baixos salários são o problema central e têm como consequência direta a necessidade de “bicos” para completar o orçamento familiar.
Nesse cenário, nada mais natural que a maioria dos policiais procure uma vaga na segurança privada. A lei proíbe, mas o bolso manda. E como não há fiscalização de fato para conter a jornada dupla, fica mais fácil burlar a regra - a responsabilidade sobre a segurança privada é da Polícia Federal, mas faltam agentes e sobram missões.
As secretarias estaduais, por sua vez, fingem que nada acontece. Se interviessem, implodiriam as contas públicas, que não resistiriam à emergência de uma demanda salarial reprimida. Afinal, é a segurança privada, informal e ilegal, que financia, indiretamente, a segurança pública, tornando possível um orçamento irreal. Eis aí o gato-orçamentário.
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o mal “benigno” ou a informalidade “bem intencionada”, tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão aí para não nos deixar mentir. E os turnos de trabalho irracionais? Quem teria coragem de racionalizá-los, se isso implica a quebra da espinha dorsal do bico?
Nos últimos anos, sobretudo no Rio, a corrupção policial agravou-se. A arcaica política do “confronto” conferia ao policial a autoridade para matar de forma arbitrária. E, ao mesmo tempo, lhe dava tacitamente o poder para negociar a vida e a liberdade, instituindo uma moeda forte e atraente - e em permanente inflação. Assim, o combate “fora-da-lei” ao crime buscou liquidá-lo, utilizando-se de práticas como a execução de delinquentes. O resultado foi desastroso e paradoxal: uma polícia envolvida em dinâmicas criminosas e, portanto, impotente diante do próprio crime. (....)
(Luiz Eduardo Soares, Le Monde Diplomatique, janeiro 2009)
Assinale a alternativa em que a mudança proposta altera o significado do segmento inicial.
- “ninguém está satisfeito” = todos estão insatisfeitos.
- “Em quase todo o país...” = Em quase todo país.
- “A lei proíbe, mas o bolso manda” = O bolso manda, apesar de a lei proibir.
- “E os turnos de trabalho irracionais?” = E os irracionais turnos de trabalho?.
- “O resultado foi desastroso e paradoxal” = Foi paradoxal e desastroso o resultado.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Em quase todo o país e Em quase todo país não são equivalentes. A mudança altera o referente e, portanto, o sentido.
Com o artigo definido "o", todo marca totalidade dentro de um país específico (no contexto: o Brasil). Logo, a frase original diz que, em quase toda a extensão desse único país, ocorre o fenômeno descrito.
Sem o artigo, todo funciona como pronome indefinido e passa a indicar cada/qualquer país — isto é, uma quantificação distributiva sobre vários países. Assim, a versão sem artigo sugere que o fato se repete em quase todos os países do mundo, mudando o foco de um país determinado para uma generalização internacional.
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