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Questão FC304787

Texto Mitos constitucionais "É inconstitucional!" Durante o governo FHC, essa era a primeira coisa que a oposição dizia. Durante o governo Lula, a oposição começa sempre pelo bordã

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FGV · 2008

Texto

Mitos constitucionais

 

 

            "É inconstitucional!" Durante o governo FHC, essa era a primeira coisa que a oposição dizia. Durante o governo Lula, a oposição começa sempre pelo bordão: "É um atentado às liberdades constitucionais!"

            Uma Constituição democrática mostra vitalidade e legitimidade quando oposição e situação, direita e esquerda, passam a invocá-la em favor das posições que defendem.

            Paradoxalmente, foram os embates em torno da revisão constitucional de 1993 e o empenho do governo FHC pelas reformas que criaram condições para essa consolidação da Constituição como núcleo do sistema político. Quanto mais defeituoso se dizia que era o texto, tanto mais se afirmava a supremacia da Carta de 1988.

            Pode-se concordar ou não com as alterações realizadas. Mas o fato é que, a partir daquele momento, a Constituição deixou de ser um texto abstrato e distante da realidade e passou ao centro do debate público.

            Vários mitos foram derrubados nesse caminho. Um deles dizia que Constituição boa é aquela que muda pouco, como se escrever com bico de pena fosse garantia de qualidade.

            Outro mito era o de que a Constituição seria letra morta, que teria uma função meramente simbólica. Como se um governo fosse se empenhar tanto para obter três quintos dos votos no Congresso, em dois turnos de votação, para mudar um mero conto de fadas.

            Caiu por fim o mito de que o texto constitucional seria contraditório: não há texto legal unívoco e perfeitamente determinado.

            A vantagem de uma Constituição democrática é que o seu sentido não pode ser fixado de antemão de uma vez por todas. Ele está em permanente disputa.

            Talvez essa seja a maior lição dos últimos 20 anos. A construção de uma institucionalidade democrática depois de uma longa ditadura militar levou a imagens extremadas do poder do direito. Foi longo o aprendizado de que o direito não é nem a solução de todos os problemas nem um palavreado inútil. Ele só se torna efetivo pelo sentido que lhe dão as lutas sociais e políticas pela sua interpretação.

            É por isso que a atividade jurisprudencial e o funcionamento concreto dos tribunais se mostram agora tão ou mais decisivos que o processo legislativo. Pela mesma razão, faz cada vez mais parte da cultura política o princípio de que o código próprio ao direito tem de ser preservado e respeitado para que a disputa pelo seu sentido possa se fazer segundo regras de liberdade e de igualdade. É a invocação e o exercício dessas regras que impedem uma Constituição de se tornar letra morta e uma democracia de definhar em autoritarismo.

 

 

(Marcos Nobre. Folha de São Paulo, 7 de outubro de 2008.)


"Um deles dizia que Constituição boa é aquela que muda pouco, como se escrever com bico de pena fosse garantia de qualidade."

Com base na leitura do trecho acima, analisando a lógica textual, é correto afirmar que:

  1. se a Constituição que muda pouco é boa, escrever com bico de pena é bom.
  2. se escrever com bico de pena é garantia de qualidade, então é boa a Constituição que pouco muda.
  3. se a Constituição mudar pouco, será possível afirmar que ela foi escrita com bico de pena.
  4. sendo boa, a Constituição mudará pouco, assim como escrever com bico de pena pode ser sinônimo de qualidade.
  5. se escrever com bico de pena não for sinônimo de qualidade, a Constituição só será boa se mudar muito.
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Gabarito

B

Comentário do professor

"Um deles dizia que Constituição boa é aquela que muda pouco, como se escrever com bico de pena fosse garantia de qualidade."

Nessa construção, a locução “como se” estabelece uma comparação que trata as duas proposições como equiparadas — ou seja, apresenta-as no mesmo plano lógico. O autor relata um mito que junta duas crenças, relacionando-as.

Assim, a alternativa “se escrever com bico de pena é garantia de qualidade, então é boa a Constituição que pouco muda” reproduz corretamente essa relação: assume uma das proposições e conclui a outra, como numa troca permissível entre ideias equiparadas pela comparação.

Importante: a frase do texto não afirma a veracidade das proposições; apenas mostra que eram consideradas equivalentes por quem defendia o mito. A alternativa B conserva essa equivalência na forma condicional.

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