Questão FC310914
Qual expressão de Vieira exemplifica "palavras em fronteira com o seu contrário"?
Semântica
VUNESP · 2017
Qual expressão de Vieira exemplifica "palavras em fronteira com o seu contrário"?
- “Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia” (1o parágrafo)
- “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera” (3o parágrafo)
- “Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem” (2o parágrafo)
- “Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero” (2o parágrafo)
- “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos” (3o parágrafo)
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Gabarito
Certo
A expressão aparece na frase "Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem".'Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem'.
Veja como foi cobrado:
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Comentário do professor
Na frase “eloquentes mudos”, Vieira coloca lado a lado dois termos de sentido contrário: eloquente (aquele que fala bem) e mudo (aquele que não fala).
Essa justaposição configura uma figura de sentido baseada na oposição, comumente identificada como antítese ou, em leitura mais condensada, oxímoro.
O efeito retórico é duplo: cria surpresa semântica e critica ironicamente os oradores que, apesar de serem capazes de falar, calam-se quando deveriam denunciar abusos.
Ao unir o atributo e o substantivo em contradição imediata, Vieira realiza exatamente o que descreve como “palavras em fronteira com o seu contrário”, expondo a hipocrisia e reforçando a carga crítica do sermão.
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