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Questão FC313893

Em qual dos trechos abaixo, extraídos da crônica, é possível identificar o emprego conotativo da linguagem?

Semântica

IBADE · 2024

Leia o texto a seguir e responda à questão.

Em busca da despedida perfeita

Carlos Castelo | 31/01/2024 | 00h10

 

[...] Sou crítico de velórios, profissão que passei a exercer com a seriedade de um sommelier de bistrô parisiense. Só não espere compaixão ou reverência de mim. O que procuro em um funeral é a excelência, o esplendor fúnebre, se é que isso soa menos mórbido.

O mais interessante é como vim parar nessa carreira. Comecei no jornalismo como colunista de economia, redigindo análises com o sobe e desce dos mercados, inflação, taxas de juros. Entretanto, em um belo dia, o chefe decidiu me transferir para a editoria de obituários.

A ideia me pareceu um rebaixamento. [...] Mas, pensando bem, hoje em dia, qual a diferença entre as finanças e o falecimento? Ambos tratam de perdas, de falências inevitáveis.

Com o passar do tempo, o editor [...] criou na publicação a coluna do crítico de velórios. No começo, torci o nariz para a mudança. Mas acabei por apreciar o novo papel. [...]

Cada detalhe conta uma história, cada cerimônia é um drama a ser analisado. E aqui estou eu, transformado de economista a crítico de velórios.

Na última semana, tive o desprazer, ou deveria dizer, a insatisfação, de avaliar três cerimônias fúnebres distintas.

A primeira, que falta de esmero! As flores eram tão poucas que mais pareciam um pedido de desculpas do que uma homenagem póstuma. As coroas, nem vale a pena mencionar. Não quero falar mal do morto, mas acredite, ele merecia mais.

O caixão, se é que posso chamar aquela caixa de madeira barata de ataúde, parecia saído de um catálogo de descontos. [...]

O segundo evento era ligeiramente melhor. [...]

Por fim, o terceiro velório. Esperava algo grandioso, afinal, era um nome conhecido na sociedade. Mas, que decepção... A urna, embora decente, não tinha o brilho que esperava. [...]

Em resumo, essa semana foi um desastre no que tange ___ (a/à) arte fúnebre. Quando chegar ___ (a/à) minha hora, caro leitor, espero que façam melhor. Um crítico de velórios merece um adeus ___ (a/à) altura de suas análises. Mas, até lá, continuarei minha busca pela despedida perfeita, onde o luto se encontra com o luxo, e o adeus é uma obra de arte. Não morro sem ver esse dia...

Fonte: CASTELO, Carlos. Em busca da despedida perfeita. O Estado de São Paulo, 31 de janeiro de 2024. Disponível em: < https://www.estadao.com.br/emais/cronica-por-quilo/em-busca-da-despedida-perfeita/>. Acesso em: 05 jan. 2024. Adaptado.

 

Em qual dos trechos abaixo, extraídos da crônica, é possível identificar o emprego conotativo da linguagem?

  1. “Não quero falar mal do morto, mas acredite, ele merecia mais”.
  2. “No começo, torci o nariz para a mudança.”.
  3. “O caixão, se é que posso chamar aquela caixa de madeira barata de ataúde...”.
  4. “O que procuro em um funeral é a excelência ...”.
  5. “Mas, pensando bem, [...] qual a diferença entre as finanças e o falecimento?”.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase “No começo, torci o nariz para a mudança.”, o emprego é conotativo porque as palavras não mantêm seu sentido literal.

“Torcer o nariz” é uma expressão idiomática: não indica movimento facial real, mas sim desaprovação ou resistência. Trata‑se de um uso figurado da linguagem, que transfere uma imagem corporal para descrever uma atitude interna.

Esse recurso estilístico aproxima o texto da fala coloquial e confere leveza e ironia ao narrador, característicos de crônica. A conotação, portanto, amplia o sentido e revela o posicionamento subjetivo do autor diante da mudança.

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