Questão FC314338
Qual figura de pensamento se faz presente na expressão “barulho do silêncio” (3º parágrafo)?
Linguagem
IBADE · 2024
Responda a questão a seguir com base no texto.
Silêncio interior: a arte de escutar a própria essência
Alessandra Aragão | 11/04/2024
Em um mundo saturado de barulhos, o silêncio se torna um refúgio cada vez mais raro e precioso. No entanto, para muitos, ele também pode ser um terreno árido, desconfortável e até mesmo assustador.
Por que nos sentimos tão desconfortáveis com o silêncio? Uma das razões pode ser o medo do que ele pode revelar. O silêncio nos confronta com nossa própria solidão, com nossas inseguranças e com nossas emoções mais profundas. É no silêncio que nos deparamos com quem realmente somos, sem máscaras ou disfarces.
É importante reconhecer que o silêncio nem sempre é um espaço vazio ou pacífico. Embora pareça contraditório, o silêncio pode ser recheado de barulhos internos. Pensamentos intrusivos, medos, dúvidas e angústias podem ecoar em nossa mente quando nos encontramos em quietude. Esse "barulho do silêncio" pode ser intimidante e até assustador, levando-nos [a] buscar distrações para evitar enfrentar nossos próprios pensamentos e sentimentos.
Quantas vezes você se viu recorrendo [a] TV, mesmo sem assistir, apenas para preencher o vazio do silêncio? Ou pegando seu telefone e mergulhando nas redes sociais para escapar do desconforto de estar sozinho com seus pensamentos?
Essas são estratégias comuns para evitar o silêncio, mas elas nos privam da oportunidade de explorar quem realmente somos, que emoções estamos sentindo, de encontrar nossas respostas e do crescimento pessoal que pode surgir desse processo. Convido você [a] abraçar o silêncio como uma ferramenta para a sua transformação pessoal. Permita-se mergulhar nesse espaço e descobrir [a]s infinitas possibilidades que ele oferece:
- Conscientize-se do seu relacionamento com o silêncio: Reserve um momento para refletir sobre como você se sente em relação ao silêncio. Você o evita ou o busca? O que isso revela sobre suas necessidades emocionais e mentais?
- Pratique a observação sem julgamento: quando se encontrar no silêncio, permita-se simplesmente observar seus pensamentos e emoções sem tentar controlá-los ou julgá-los. Apenas observe e esteja presente com o que surgir.
- Crie momentos de silêncio intencional: reserve tempo em sua rotina diária para estar em silêncio, seja através da meditação, caminhadas na natureza ou simplesmente sentando-se em quietude. Permita-se ficar confortável com o silêncio e descubra o que ele tem a lhe oferecer.
- Explore o que o silêncio revela: pergunte a si mesmo: o que os pensamentos e emoções que surgem no silêncio estão tentando me dizer? Existe algum padrão ou tema recorrente que merece minha atenção?
- Pratique a autocompaixão: se o silêncio desencadear emoções desconfortáveis, seja gentil consigo mesmo. Reconheça que é natural sentir-se desconfortável às vezes e que isso faz parte do processo de crescimento pessoal.
Ao abraçar o silêncio e enfrentar o "barulho" que ele pode conter, você pode descobrir uma fonte inestimável de clareza e de autoconhecimento.
Lembre-se de que a transformação pessoal muitas vezes começa no silêncio, ________ podemos encontrar a coragem e a sabedoria necessárias para crescer e evoluir como pessoa.
Então o que está esperando? Silencie-se hoje mesmo e escute o que o seu silêncio quer lhe dizer.
ARAGÃO, Alessandra. Silêncio interior: a arte de escutar a própria essência. Estado de Minas,
11 de abril de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/alessandra-aragao/2024/04/6835972-silenci
o-interior-a-arte-de-escutar-a-propria-essencia.html. Acesso em: 11 abr. 2024. Adaptado.
Qual figura de pensamento se faz presente na expressão “barulho do silêncio” (3º parágrafo)?
- Eufemismo.
- Paradoxo.
- Hipérbole.
- Ironia.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Paradoxo é uma figura de pensamento que reúne, numa mesma expressão, ideias aparentemente incompatíveis ou contraditórias, gerando estranhamento e convidando à reflexão.
Na expressão “barulho do silêncio”, há justo essa oposição: silêncio remete à ausência de som, enquanto barulho indica presença sonora.
Ao juntar termos antagônicos, o autor ressalta que o silêncio externo pode abrigar um ruído interior — pensamentos, angústias, inquietações — transformando a simples ausência de som em experiência intensa e paradoxal.
Assim, o recurso funciona como instrumento expressivo: expõe a contradição vivida pelo eu lírico e aprofunda o sentido do texto, tornando-o mais impactante e reflexivo.
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