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Questão FC314402

"O Sentinela" (Trecho adaptado) Autor: Olavo Bilac (Domínio Público) "Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! Olha que céu! Que ma

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBADE · 2025

"O Sentinela" (Trecho adaptado)

Autor: Olavo Bilac (Domínio Público)

 

"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!

A natureza aqui perpetuamente em festa

É um seio de mãe a transbordar carinho.

Vê que vida há no chão! Vê que luz há no ar!

Teus livros, teus brinquedos deixa um pouco… Vem!

Que o amor se aprende amando… Vem! Ama o Brasil também!"

 

A exortação do eu lírico no trecho de "O Sentinela" configura uma pedagogia do sentimento patriótico que se alicerça, predominantemente, na

  1. contraposição explícita entre a experiência empírica da natureza e a abstração do conhecimento formal, visando desqualificar o último em favor de uma vivência puramente sensorial da pátria.
  2. articulação de um nacionalismo cívico-territorial, onde a grandiosidade do espaço físico é apresentada como metonímia da superioridade moral e cultural do povo brasileiro.
  3. proposição de uma gnose intuitiva e afetiva da pátria, em que o ato de "amar" precede e condiciona o "aprender", sugerindo que a identidade nacional se forja na experiência emocional direta com o meio.
  4. valorização da infância como estágio ideal para a inculcação de um orgulho ufanista, utilizando a ingenuidade infantil para naturalizar uma visão acrítica e idealizada do país.
  5. construção de uma estética parnasiana da paisagem, onde a perfeição formal da natureza espelha um ideal de ordem e progresso a ser internalizado pela criança como cidadã.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa C destaca que o poema propõe uma gnose intuitiva da pátria: o conhecimento sobre o país não surge primariamente de ensino formal, mas de uma vivência afetiva.

O eu lírico convoca a criança a abandonar por um momento os livros e brinquedos: “Teus livros, teus brinquedos deixa um pouco… Vem! Que o amor se aprende amando…”
Essa ordem indicativa mostra que o amar precede e funda o aprender.

Assim, a identidade nacional é apresentada como fruto de uma experiência sensorial e emotiva com o território — céu, mar, rios, floresta — e não de um saber meramente racional ou enciclopédico.

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