Questão FC314480
O sol que entra pelas janelas no alto da sala ilumina o rosto das mulheres sentadas no carpete. No chão, as biografias de Michele Obama, Angela Davis, Conceição Evaristo e Elza Soa
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBADE · 2023
O sol que entra pelas janelas no alto da sala ilumina o rosto das mulheres sentadas no carpete. No chão, as biografias de Michele Obama, Angela Davis, Conceição Evaristo e Elza Soares dão dicas do assunto que o projeto “Histórias Além Muros” tratou na tarde da última quarta-feira. Sentadas em círculo, 14 presas na Penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, seguram um pedaço de papel e uma caneta. Cada uma tentou, em poucas linhas, escrever parte de sua história. Depois, leram a autobiografia em voz alta e revelaram do que gostam e desgostam no mundo: “Quase não existe coisa de que não gosto, porém, uma me fere a alma: a maldade do ser humano”, diz uma delas. “Mesmo estando em situação carcerária, sou feliz, pois aqui aprendi o verdadeiro valor da vida”, conta outra. O ambiente reúne uma estante de livros que ocupa uma parede inteira e almofadas espalhadas pelo chão. O espaço é dedicado à leitura e a reflexões que as palavras proporcionam. Cada encontro tem um tema e, para apresentar os livros, as educadoras explicam as características dos gêneros, discutem os autores e realizam atividades relacionadas aos livros indicados. Os encontros ocorrem três vezes por semana, duas vezes por dia, desde 2021.
A proposta veio do sonho de melhorar o acesso aos livros em penitenciárias brasileiras, em especial no Estado do Rio. O acesso das presas à biblioteca não é tão simples.
O agente penitenciário precisa estar disponível para levá-las e ficar lá, já que elas não podem ficar sozinhas. Além disso, o acervo tem que ter pluralidade de estilos e vozes, considerando diferentes graus de escolaridade. Para facilitar o processo de integração, a biblioteca, pensando no seu público, inclui obras com personagens femininas e negras, por exemplo. E até a organização visa a tornar as obras mais atrativas: as publicações ficam com as capas viradas para a frente, para ajudar na escolha. Desde 2021, mais de 300 mulheres já passaram pelo projeto e pegaram livros na biblioteca.
SOUZA, Roberta de. Disponível em: https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2023/07/
projeto-apresenta-novo-mundo-a-mais-de-300-presas-do-rio-atraves-da-leitura.ghtml
Na parte inicial do texto, as internas tentaram escrever uma história sobre:
- suas próprias vidas.
- a rotina do presídio.
- a vida de seus familiares.
- seus projetos de leitura.
- uma mulher negra famosa.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Suas próprias vidas é a resposta correta porque o trecho descreve explicitamente a atividade realizada: "Cada uma tentou, em poucas linhas, escrever parte de sua história." A expressão indica que as internas escreveram relatos pessoais, ou seja, trechos de suas próprias biografias.
Além disso, o texto registra que elas "leram a autobiografia em voz alta", o que confirma o caráter autobiográfico do exercício — narrativas em primeira pessoa sobre experiências e sentimentos individuais.
O aparato descrito (papel, caneta, leitura em círculo) e as falas citadas (expressões de gosto, feridas da alma, valorização da vida) reforçam que o foco foi a vivência pessoal e a reflexão sobre suas histórias, não textos de caráter impessoal.
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