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Questão FC314680

Leia o texto a seguir para responder à questão. Eu me demito: fenômeno da grande resignação chega ao Brasil. Camuflados por uma fila de 13 milhões de desempregados, brasileiros ped

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

IBADE · 2022

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Eu me demito: fenômeno da grande resignação chega ao Brasil.

 

Camuflados por uma fila de 13 milhões de desempregados, brasileiros pedem demissão em ritmo recorde: meio milhão por mês.

 

Por Marcelo Soares | Edição: Tássia Kastner 11/02/2022

 

Pedir demissão no meio de uma crise econômica e sanitária parece aquele tipo de luxo reservado a trabalhadores ricos de países desenvolvidos. Todo mês, mais de 4 milhões de americanos passaram a deixar seus empregos voluntariamente, num fenômeno que ganhou nome próprio: Great Resignation (“grande resignação”).

 

Trata-se de um exército de trabalhadores urbanos, majoritariamente jovens – com menos de 30 anos – e do setor de serviços. Fica mais fácil para quem mora em um país cujo índice de desemprego é virtualmente zero: lá a desocupação está em 3,9%. É o oposto do cenário brasileiro. Aqui, 13 milhões estão em busca de trabalho, e a taxa de desemprego, ainda que em queda, continua acima dos dois dígitos, ao redor de 13%.

 

E, mesmo assim, o Brasil também vive sua grande resignação. Todos os meses, quase 500 mil trabalhadores jogam seus crachás pela janela e dão fim ao emprego que tinham – sem levar nenhuma vantagem além de sair da empresa, pois essa modalidade de demissão não libera o FGTS. É o dobro do registrado nos anos anteriores à pandemia, de acordo com o estudo encomendado pela Você S/A ao estúdio de inteligência de dados Lagom Data.

 

A Lagom analisou quase 188 milhões de registros de movimentações trabalhistas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), entre 2016 e novembro de 2021, dado mais recente disponível na conclusão desta reportagem.

 

E os números mostram que Brasil e EUA viveram um movimento semelhante: antes de 2020, havia uma certa estabilidade no número de pedidos de demissão voluntária. Logo após o início da pandemia, trabalhadores se seguraram nos seus empregos – até porque as empresas estavam demitindo a rodo à medida que fechavam as portas de forma temporária ou definitiva. Mas tão logo a fase aguda da crise passou, trabalhadores decidiram assumir as rédeas de suas carreiras e deram adeus a seus chefes.

 

É tanta gente pedindo as contas no Brasil que, em um ano, os pedidos de demissão representam uma rotatividade de 15% nas vagas com carteira. O número total é ainda maior, já que o estudo foi feito com base exclusivamente nos desligamentos a pedido. Existem ainda as demissões por comum acordo, autorizadas pela reforma trabalhista de 2017 – e essas não ficam contabilizadas como voluntárias.

 

Os dados oficiais são apenas numéricos. Não registram os motivos que levam tanta gente a pedir demissão. Para entender melhor o que se passa, ouvimos especialistas – e também trabalhadores que decidiram pedir as contas em meio à nossa “grande resignação”.

 

Dá para resumir em três pontos o que leva uma pessoa a se demitir: ganhar um salário melhor, mudar-se para um ambiente de trabalho mais saudável e dar um upgrade na qualidade de vida. Os três pontos não são excludentes. Mas essas motivações são mais frequentes quando existem mais vagas disponíveis do que gente para trabalhar. E Ana Cristina Limongi-França, professora de economia da FEA/USP e da FIA, detectou foi o seguinte: o advento do home office deu uma força para quem sonha com mais dinheiro ou mais tempo livre, mesmo que numa realidade de desemprego em alta.

 

“Houve mais oportunidades de trabalho [remoto] especialmente no setor de serviços e atendimento”, diz Ana Cristina. Ela é coautora de um estudo sobre o impacto da qualidade de vida no trabalho, e como esse fator leva a pedidos de demissão.

 

[...]

 

Proporcionalmente, a atividade com maior volume de saídas voluntárias foi o telemarketing, em que o número de pedidos de demissão representa 18,7% do total de vagas formais ao final de 2020. [...]

https://vocesa.abril.com.br/economia

 

“Houve mais oportunidades de trabalho [remoto].” 9º§ A única variação correta para essa frase é:

  1. Parecem haver mais oportunidades de trabalho remoto.
  2. Existiu mais oportunidades de trabalho remoto.
  3. Devem ter havido mais oportunidades de trabalho remoto.
  4. Fazem anos que procuravam oportunidades de trabalho remoto.
  5. Deve haver mais oportunidades de trabalho remoto.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A frase correta é Deve haver mais oportunidades de trabalho remoto porque o verbo haver, no sentido de existir, é impessoal — ou seja, não admite sujeito e permanece no singular: "há muitos problemas", "há vagas".

Quando esse verbo integra uma locução verbal com um auxiliar modal (como "deve"), a impessoalidade se estende ao auxiliar: este também fica no singular ("deve haver"), não concordando com o substantivo plural que aparece depois.

Portanto, apesar de "oportunidades" estar no plural, não há sujeito para determinar concordância. Exemplos análogos: "Há três livros na mesa." / "Deve haver três livros na mesa." Ambos com verbo no singular por serem orações sem sujeito.

Essa é a razão gramatical que torna a forma apresentada correta e normativa.

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