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Questão FC314705

TEXTO I Explicar não é justificar Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Como o filósofo Sêneca, insi

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

IBADE · 2025

TEXTO I

 

Explicar não é justificar

 

Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Como o filósofo Sêneca, insistiam apenas em que se reconhecessem alguns direitos aos escravos: que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais. Estamos na mesma posição quando se trata da pobreza. Estamos convencidos de que uma sociedade justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão.

 

(Raymond Boudon, O relativismo. Trad. de Edson Bini. São Paulo: Loyola, 2010. p. 41)

 

Pode-se afirmar, no texto I, que o autor faz uma comparação com o excerto:

  1. “Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão...”.
  2. “Estamos na mesma posição quando se trata de pobreza”.
  3. “... não hesitamos em condenar a prática da escravidão”.
  4. “Estamos convencidos de que uma sociedade justa deve procurar erradicá-la”.
  5. “... que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais.”
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Gabarito

B

Comentário do professor

O enunciado “Estamos na mesma posição quando se trata de pobreza” funciona como uma comparação explícita: o autor iguala duas atitudes históricas diante de problemas sociais distintos.

Em primeiro lugar, aponta que os antigos aceitavam a escravidão por não conseguirem imaginar outra organização social; em seguida, afirma que hoje aceitamos a pobreza pela mesma incapacidade de conceber meios eficazes para erradicá‑la.

Essa construção estabelece a figura retórica da analogia: aquilo que foi naturalizado no passado (escravidão) é equiparado ao que é naturalizado no presente (pobreza).

O efeito é crítico: mostra que a aceitação não decorre de legitimidade moral, mas de limites imaginativos e práticos.

Portanto, a alternativa correta destaca precisamente essa paralelização entre duas situações sociais.

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