Questão FC314713
TEXTO III Amar Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto e
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
IBADE · 2025
TEXTO III
Amar
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto eu, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o amar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
(Carlos Drummond de Andrade)
Infere-se do texto III que:
- há uma confirmação de amar mesmo na falta de amor.
- amar é só um deserto de sofrimentos.
- o amor é inatingível mesmo amando por um momento.
- o amor nada mais é do que a dualidade do deserto e do mar.
- o amor anula as escolhas da vida.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa indica que há uma confirmação de amar mesmo na falta de amor. Essa leitura está presente no próprio enunciado do poema: “Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita…”
O verso citado funciona como prova direta: o eu-lírico não só admite a ausência de correspondência, como afirma amar essa própria carência. A repetição do verbo amar (amar, desamar, amar...) reforça a ideia de continuidade e de amor que persiste independentemente da retribuição ou do objeto.
Portanto, infere-se corretamente que o texto confirma um amor que subsiste mesmo diante da falta — um amor que se doa apesar da ingratidão e da secura, buscando sempre “mais e mais amor”.
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