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Questão FC316952

E antes desse tempo, vovó?

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

Com. Org. (IFSP) · 2016

COMO O MUNDO COMEÇOU


Dona Benta era uma senhora de muita leitura; além de ter uma biblioteca de várias centenas de volumes, ainda recebia, dum livreiro da capital, as novidades mais interessantes do mundo.


Uma tarde o correio trouxe-lhe a História do mundo para crianças, de V.M.Hillyer, diretor da Calvert School, de Baltimore.


Dona Benta leu o livro com cara de quem estava gostando; depois folheou e releu vários volumes da sua biblioteca que tratavam de assuntos semelhantes e disse consigo: “Bela ideia! A história do mundo é um verdadeiro romance que pode muito bem ser contado às crianças. Meninos assim da idade do Pedrinho e Narizinho estou certa de que hão de gostar e aproveitar bastante”.


E, voltando para a criançada:


Olhem, vamos ter novidades amanhã. U ma história nova que vou contar, muito comprida…


De urso que vira príncipe? - quis saber a Emilia.


Não. A história que vou contar é a história do mundo, ou universal.


Às sete horas em ponto, no dia seguinte, estavam todos reunidos na sala de jantar. Todos, menos três: Rabicó, que não queria aprender coisa nenhuma; o rinoceronte que era muito grande para caber lá dentro; e o Doutor Livingstone, que já estava outro (com esse sábio, tinha acontecido um fenômeno maravilhoso: começara a mudar de aspecto, a transformar-se em outra pessoa, até que um dia amanheceu de novo virado no velho Visconde de Sabugosa!). E foi diante do bandinho quase completo que Dona Benta começou.


Há muito, muito tempo – disse ela – há milhões e milhões de anos, não existia gente nesta Terra e, portanto não existiam casas, nem nenhuma das coisas que só existem onde há gente, como cidades, estradas de ferro, pontes, automóveis e tudo mais que se vê no mundo de hoje.


Que é que havia então? – perguntaram todos. – Animais selvagens. Ursos e lobos, pássaros e borboletas, rãs e cobras, tartarugas e peixes. Mas milhões de anos antes, nem isso havia no mundo. Apenas havia plantas.


E mais antes ainda não havia nem plantas, aposto! – gritou Pedrinho erguendo o dedo.


Isso mesmo – confirmou Dona Benta. M ais antes ainda, não havia no mundo nem gente, nem animais, nem plantas. Só havia rochas e águas. Pedra e água – só, só, só. O que não era água era pedra, e o que não era pedra era água.

 

E antes desse tempo, vovó?


Antes, muito antes desse tempo, não havia nada, porque não havia mundo – o nosso mundo. Havia, entretanto, estrelas no espaço, isto é, enormes massas de fogo – enormes bolas de metais derretidas, refervendo. O sol, este nosso sol de todos os dias, era uma das tais estrelas.


Mas naquele tempo o sol não se apresentava tão sossegado como o vemos hoje. Estava ainda num período de tremenda fervura, com explosões de tal violência que por várias vezes enormes espirros da sua massa de fogo se despregavam, eram arremessadas a grandes distâncias e ficavam no espaço, girando sozinhos, como se fossem outros tantos astros novos. [...]


(LOBATO, Monteiro. História do Mundo

Para as Crianças: fragmento de Como o nosso mundo começou. 6.ed. São Paulo: Brasiliense, 1994).

 

No terceiro parágrafo, em “Dona Benta leu o livro com cara de quem estava gostando”, pode-se dizer que:

  1. O pronome relativo “o” foi utilizado para referir- se a termo já citado anteriormente.
  2. O artigo “o” foi utilizado para substitui o termo com o qual se relaciona.
  3. O pronome demonstrativo “o” substitui o termo com o qual se relaciona.
  4. O artigo “o” foi utilizado para determinar o gênero e o número da palavra com a qual se relaciona, particularizando o substantivo que o sucede.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Artigo definido "o" funciona aqui como elemento determinante: marca gênero (masculino) e número (singular) do substantivo que acompanha.

Na frase "Dona Benta leu o livro com cara de quem estava gostando", o artigo antepõe-se a livro e sinaliza imediatamente essas categorias morfológicas, orientando a concordância com adjetivos, pronomes ou verbos quando necessário.

Além disso, o uso de "o" tem valor de particularização: indica um livro específico conhecido no contexto (não qualquer livro), tornando a referência definida e identificável para os interlocutores.

Em suma, o artigo cumpre dupla função: determina gênero e número e particulariza o substantivo que o sucede.

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