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Questão FC316991

Leia os textos a seguir. Texto 1 – Síntese da obra Quarto de despejo O livro de Carolina Maria de Jesus narra de modo fiel o cotidiano passado na favela. Em seu texto, vemos como a

Interpretação de Textos (Compreensão)

Com. Org. (IFSP) · 2022

Leia os textos a seguir.

 

Texto 1 – Síntese da obra Quarto de despejo

 

O livro de Carolina Maria de Jesus narra de modo fiel o cotidiano passado na favela. Em seu texto, vemos como a autora procura sobreviver como catadora de lixo na metrópole de São Paulo, tentando encontrar naquilo que alguns consideram como sobra o que a mantinha viva.

 

Os relatos foram escritos entre 15 de julho de 1955 e 1 de janeiro de 1960. As entradas no diário são marcadas com dia, mês e ano e narram aspectos da rotina de Carolina.

 

Muitas passagens sublinham, por exemplo, a dificuldade de ser mãe solteira nesse contexto de extrema pobreza. Carolina Maria é mãe de três filhos e dá conta de tudo sozinha. Relata também as brigas dos vizinhos que acabavam em violência contra a mulher, pois do seu barraco era possível ouvir os gritos.

 

Para conseguir alimentar e criar a família, ela se desdobra trabalhando como catadora de papelão, metal e como lavadeira. Apesar de todo o esforço, muitas vezes sente que não dá conta.

 

(Texto adaptado do site: https://www. culturagenial.com/quarto-de-despejo- -carolina-maria-de-jesus. Acesso em 17 fev. 2022).

 

Texto 2

 

Para representar a favela, uma equipe de pesquisadores fez uso de três músicas: “A carne” (Elza Soares); “O lamento da lavadeira” (Monsueto); “Lata d’água na cabeça” (Marlene), usando um trecho de cada uma que pudesse representar a dificuldade na favela. O resultado foi a criação da poesia a partir das músicas.

 

Lata d’água na cabeça

Lá vai Carolina

Lá vai Carolina

Sobe o morro e não se cansa

pela mão leva a criança

Lá vai Carolina

Sabão, um pedacinho assim

Água, um pinguinho assim

Roupa, um montão assim

Trabalho, um tantão assim

Cansaço é bastante sim

Dinheiro, um tiquinho assim

 

Mas mesmo assim

Ainda guardo o direito

De algum antepassado da cor

Brigar sutilmente por respeito

De algum antepassado da cor

 

Brigar, brigar, brigar

Com a lata na cabeça

Lá vai Carolina

Lá vai Carolina

Sobe o morro e não se cansa

pela mão leva a criança

Lá vai Carolina

“Será que quando eu morrer vou morar na

favela?”

 

(Trecho extraído do texto: PINANGE,

Daniella Sotero de Barros et al. “Quarto

de despejo”: relato de uma vivência

dialogada “Quarto de despejo”: relato

de una vivencia dialogada. Pesqui.

prát. psicossociais, São João del-Rei, v.

15, n. 2, p. 1-12, jun. 2020. Disponível

em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.

php?script=sci_arttext&pid=S1809-

-89082020000200004&lng=pt&nrm=iso.

Acesso em: 17 fev. 2022).

 

Considerando o processo de criação do poema, após a leitura do texto 1 – síntese da obra, podemos afirmar que no texto 2:

  1. Há uma paródia, pois os elaboradores do texto poético conservam elementos exclusivamente da música “Lata d’água na cabeça” para mostrar a condição das lavadeiras do morro – intertexto do livro Quarto de despejo, elucidando o diálogo entre as obras.
  2. As músicas usadas para paráfrase retratam a vida de mulheres pobres e as dificuldades enfrentadas, em meio à escassez material, além da violência contra a mulher, citada no livro Quarto de despejo e tão presente na vida das mulheres negras e pobres. A condição do trabalho e as dificuldades em sobreviver no espaço narrado por Maria Carolina de Jesus são ilustradas pelas músicas que compõem a poesia, de modo a assegurar o diálogo explícito entre os textos.
  3. Há o uso de Intertextualidade implícita, pois não se encontra de imediato o intertexto aplicado, ou seja, é necessária maior atenção do leitor, uma vez que não aparece a citação do texto- fonte e nenhuma referência direta do tema tratado pelas músicas, além da autora Maria Carolina de Jesus.
  4. As músicas são citações diretas do texto de Maria Carolina de Jesus, cujo objetivo é exaltar as músicas e o valor artístico que elas representam para sociedade brasileira, além de retratar a condição periférica das lavadeiras do morro e das cantoras Elza Soares e Marlene.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa aponta corretamente que as músicas funcionam como paráfrase do universo de Carolina Maria de Jesus: trechos escolhidos representam a rotina de mulheres pobres, com ênfase na escassez material (pouco dinheiro, trabalho exaustivo, necessidade de lavar e catar), elementos centrais em Quarto de despejo.

Os versos remetem à figura de "Carolina" — mãe solteira, catadora/lavadeira — e evocam também a violência contra a mulher, tema presente nas descrições do cotidiano violento da favela. Assim, as músicas iluminam as mesmas condições sociais narradas no livro.

Por isso há um diálogo explícito entre os textos: os fragmentos musicais ilustram e ampliam a representação da vida e do trabalho das personagens, confirmando a correlação temática proposta pela alternativa.

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